Digitalização das lavouras terá salto em termos de precisão

  • 23/09/2021
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Agricultura de Precisão

Tecnologia 5G vai tornar ainda mais ágeis e eficientes as operações de monitoramento e gestão agrícola. Saiba mais:

Quando o CEO da Usina São Martinho, Fábio Ventureli, fala em “o céu é o limite” ao se referir à agricultura 4.0, longe de usar um chavão, está olhando os ganhos que a empresa já obteve e que, segundo ele aposta, vão crescer com a chegada da tecnologia 5G. A tecnologia 5G vai tornar ainda mais ágeis e eficientes as operações de monitoramento e gestão agrícola, colocando em tempo real as informações captadas por sensores, máquinas e drones, otimizando aplicações de bioquímicos e auxiliando até no combate a incêndios e segurança dos trabalhadores.

A empresa havia avançado ao investir R$ 70 milhões em Centros de Operações Agrícolas (COA), que utilizam a tecnologia 4G para controlar máquinas e operações, o que ajudou a ampliar a produtividade das usinas.

Um exemplo pode ser visto no volume de cana colhida. Com sensores ligados às redes que indicam a melhor velocidade, rotação e ponto de maturação, uma máquina na São Martinho tem colhido 1.200 toneladas por dia, ante uma média 550 toneladas na região Centro-Sul. Os primeiros “testes de perfeição”, projetando a tecnologia 5G, já apontam para a possibilidade de colher 4.400 toneladas por dia, o que dará ganho industrial, redução de manutenção de máquinas e economia de combustível com informação em tempo real, sem latência. Hoje, com 4G, a companhia já economiza 10% do combustível. “Sem contar a redução de gás de efeito estufa emitido”, completa Walter Maccheroni Jr, diretor de inovação da usina.

A digitalização das lavouras e usinas com tecnologia 5G começa a ser instalada em parceria com a empresa de telefonia Vivo e a sueca Ericsson. Não revelam o investimento, mas diz o diretor, ele se dilui nos investimentos feito nos COA.

As novas tecnologias vão garantir um salto da agricultura de precisão para a de ultraprecisão, acredita Venturelli. O que é a aposta também do diretor presidente da BrasilAgro, André Guillaumon, empresa que colheu 282 mil toneladas de grãos na última safra. O trabalho com drones e sensores tem ajudado a companhia a mitigar riscos nas lavouras de grãos, no controle da engorda de gado, com redução de custos. O uso de bioquímicos tem sido intensificado com a incorporação de biofábricas que produzem substâncias bioquímicas, permitindo uso de nematicidas, bactericidas, fungicidas e inseticidas que por sua vez reduzem o uso de defensivos químicos.

Drones precisos

Na São Martinho, o controle biológico no combate à broca da cana é feito com drones que lançam com muita precisão os produtos, reduzindo em 50% o nível de infestação. Na Fazenda Xingu, da BrasilAgro, as novas tecnologias permitiram redução de 20% nas aplicações de agroquímicos na soja, o que significa ganhos de 10% a 15% no custo de defensivos. Os ganhos são significativos: a empresa tem um custo de R$ 3.600,00 por hectare de soja, e planta mais de 70.000 hectares. A racionalização de custos, calcula Guillaumon, permite ganhos ao redor R$ 10 milhões ao ano com uso de bioquímicos de alta precisão.

O uso racional da água é outro tema que tem tomado a atenção de produtores. A telemetria se tornou auxiliar importante no uso racional da água, com incorporação de tecnologias nos sistemas de irrigação que ajudam na economia e eficiência dos produtos. A SLC, companhia agrícola com 22 unidades de produção e previsão de plantio de 660 mil hectares, já obteve uma economia de 17 milhões de litros de água com, por exemplo, uso de sensores de imagem nos bicos dos pulverizadores, que acionam água apenas quando as plantas atingem uma cor específica, diz seu diretor de RH e sustentabilidade, Álvaro Dilli.

Menos gasto de água, monitoramento do clima com a tecnologia desenvolvida pela startup Zeus, uma das 200 startups com as quais a empresa conversa anualmente, e sistema de gestão de pulverização são caminhos que têm permitido à empresa uma economia de R$ 24 milhões a cada safra em aplicação de defensivos agrícolas, “sem contar a redução importante de uso de embalagens”, complementa Dilli, que também aposta na tecnologia 5G como fator de ampliação de eficiência na produção e de renovação no campo do trabalho. Todas esses novas tecnologias, se eliminam alguns postos, abrem um novo leque profissões no campo. São pilotos outorgados de drones, cientistas de dados e engenheiro de software que serão incorporados nas fazendas e indústrias.

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Fonte: Valor Econômico

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