Mercado da Mandioca: Altas se intensificam, e média de preços avança 1,5%

  • 03/08/2021
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  • Categoria(s): Raiz de Mandioca |

Mercado da Mandioca

Com os produtores focados em separar manivas para novos plantios e o clima adverso (chuvas em parte das áreas e seca em outras), a oferta de mandioca para processamento seguiu baixa na última semana, segundo informações do Cepea. Por outro lado, a demanda industrial se manteve firme, com agentes disputando a matéria-prima em regiões mais distantes. Confira:

Raiz de Mandioca

A disponibilidade de lavouras de segundo ciclo (acima de 12 meses) está menor em muitas regiões acompanhadas pelo Cepea. Ao mesmo tempo, o interesse dos mandiocultores pela comercialização de raízes mais novas está baixo, devido à menor produtividade. Vale destacar, ainda, que o plantio continuou sendo prioridade para muitos agricultores. Este quadro resultou em oferta limitada de raízes para muitas firmas, que já têm se abastecido em áreas mais distantes.

Após os preços terem ficado praticamente estáveis nas duas últimas semanas, entre 19 e 23 de julho, a média nominal a prazo para a tonelada de mandioca posta fecularia subiu 1,5%, para R$ 422,87 (R$ 0,7354 por grama de amido, na balança hidrostática de 5 kg), a maior desde o final de junho. Atualizado (deflacionamento pelo IGP-DI de junho), este valor ainda é 4% menor que o do mesmo período de 2020.

Dentre as regiões do Paraná, apenas no extremo-oeste não houve diminuição expressiva na oferta, e a matéria-prima foi suficiente para atender à demanda das fecularias. Já em parte do noroeste do estado, a disponibilidade de lavouras de mandioca de segundo ciclo está menor, ao mesmo tempo em que agricultores postergam a comercialização para avançar com o plantio, levando parte das firmas a se abastecer com raízes do estado de São Paulo e do sul de Minas Gerais. No centro-oeste paranaense, paulatinamente, produtores têm diminuído a comercialização, pelo fato de que praticamente toda a mandioca disponível ser nova (com até 12 meses), com produtividade e rendimento de amido menores. A média semanal no estado do Paraná subiu 1,6%, para R$ 434,88/t (R$ 0,7563 por grama de amido).

No sudeste de Mato Grosso do Sul, a disponibilidade de lavouras de segundo ciclo também tem sido menor. Parte dos agricultores prioriza o plantio ou está retraída, na expectativa de preços mais elevados. Também houve diminuição nas entregas de mandioca nas fecularias do extremo-sul do estado, sobretudo por conta da retração de parte dos mandiocultores. Em MS, o preço médio foi de R$ 424,48/t (R$ 0,7382 por grama de amido) nesta semana, com alta de 1%.

No geral, mandiocultores de todas as regiões, têm mostrado menor interesse de comercialização, exceto nos poucos casos em que há necessidade de entregar áreas arrendadas. Além disso, o plantio deve continuar como prioridade nas próximas semanas.

O clima continua determinante para o avanço dos trabalhos no campo. Na maioria das regiões, o déficit hídrico volta a ser preocupação dos agricultores, especialmente os que semearam em junho. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) voltou a alertar para a possibilidade de geadas na próxima semana, o que pode ter efeitos sobre a oferta de manivas para o plantio da safra 2021/2022.

Diante destes fundamentos, a oferta de raízes pode continuar abaixo das expectativas de agentes nos próximos períodos, enquanto que a demanda pela matéria-prima deve seguir elevada, principalmente pelas firmas com contratos de entrega a cumprir. Este possível cenário pode impulsionar os preços da mandioca.

Fécula de Mandioca

A oferta restrita de amido de milho tem levado compradores a buscarem alternativas. Assim, e com expectativa de altas nos próximos períodos, houve forte aumento na procura pela fécula em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea.

Compradores de amido têm mostrado interesse em adquirir maiores quantidades do derivado de mandioca para entrega nos próximos meses. Vale destacar também que a demanda do mercado externo segue firme, sobretudo por parte de novos mercados, interessados comercializar maiores quantidades.

Apesar deste cenário favorável, poucos negócios efetivos foram realizados, envolvendo baixas quantidades. Fecularias e modificadoras de amido têm priorizado a formação de estoques, visando atender ao mercado em períodos de menor oferta. Entre 19 e 23 de julho, houve crescimento de 1,1% nos estoques.

Há vários fundamentos que podem aumentar a demanda por fécula de mandioca nos próximos meses, como o avanço da vacinação e a retomada das atividades econômicas (ainda que de forma gradual), os elevados preços do amido de milho e a demanda do mercado externo. Considerando este possível cenário, parte das unidades industriais tem optado por formar estoques.

Farinha de Mandioca

Após a lentidão de períodos anteriores, entre 19 e 23 de julho, o mercado de farinha ficou mais movimentado. As vendas, que estavam voltadas para as próprias origens da produção, passaram a ser direcionadas também para outros estados.

Compradores de farinha, sobretudo dos segmentos atacadistas, indicaram maior necessidade de reposição de estoques. Além disso, a expectativa quanto a quedas mais expressivas nos valores do derivado diminuiu.

No noroeste paranaense, a maior parte da indústria de farinha registrou melhora no volume comercializado. Os negócios, que estavam praticamente concentrados nos empacotadores locais, também se destinaram a comerciantes das regiões Norte e Nordeste, que, inclusive, passaram a sinalizar aumento nas aquisições. Apesar disso, as cotações ainda recuaram.

O crescimento das vendas foi menos expressivo na indústria de farinha do centro-oeste do Paraná, que ainda atendeu empacotadores locais. Entretanto, o interesse comprador por parte de atacadistas de Minas Gerais e do Distrito Federal aumentou, com certa dificuldade da indústria em reajustar os valores.

Ainda que abaixo das expectativas, a comercialização de farinha para parte da indústria do oeste do estado de São Paulo aumentou, destinada principalmente para o segmento atacadista do estado, mas com procura firme por agentes da Bahia.

A oferta de mandioca esteve mais restrita para as farinheiras no Paraná, que disputaram a matéria-prima com as fecularias em alguns casos. No estado de São Paulo, a oferta ficou praticamente estável no período, e, por conta da demanda mais fraca, houve até casos de queda nos preços. Na semana, o valor médio nominal a prazo da tonelada de mandioca posta farinheira foi de R$ 418,12 (R$ 0,7272 por grama de amido), com ligeiro avanço de 0,08%.

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Conteúdo com informações do Cepea/Esalq.

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