Mercado da Mandioca: Menor oferta e retomada da economia poderão alterar a dinâmica do mercado

  • 20/01/2021
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  • Categoria(s): Raiz de Mandioca |

Mercado da Mandioca

Nos últimos anos, a área ocupada com mandioca no Brasil tem recuado, sem que a produtividade tenha aumentado. Como resultado desse cenário, a oferta tem sido menor, e, pelo menos por enquanto, é o que também se espera para 2021. Nas áreas de mandioca destinada às indústrias, produtores avançaram na colheita e na comercialização de raízes de 1º ciclo ainda em 2020, reduzindo a disponibilidade do produto em 2021. Confira as cotações da mandioca nesta primeira quinzena de janeiro e quais são as perspectivas para 2021:

Raiz de Mandioca

De acordo com o IBGE, em 2020, a área plantada com mandioca no Brasil deve ser 2% menor que a do ano anterior, com destaque para a queda de 10,4% no Nordeste. Na região Norte, a baixa foi de 1,7%, mas, por outro lado, Sul, Sudeste e Centro-Oeste devem ter avanços de respectivos 9,3%, 6,4% e 4,5% na área. Assim, deve haver restrição de mandioca de dois ciclos em 2021.

Entretanto, a diminuição de área no Nordeste deve ocorrer em estados menos representativos em termos de produção. Portanto, de modo geral, a região deve continuar autossuficiente na oferta de raízes para a industrialização. Já no Centro-Sul, apesar dos acréscimos, os altos volumes comercializados de mandioca mais nova devem manter a produção mais limitada.

Por conta da covid-19, os principais indicadores econômicos recuaram de forma severa em 2020, com efeitos negativos em diversos setores industriais e no varejo. Na cadeia produtiva da mandioca, os impactos foram apenas transitórios, mas, ainda assim, o ano foi marcado pela menor demanda por derivados. Para 2021, há expectativa de retomada da economia, o que poderá elevar a procura pelos derivados da mandioca e a necessidade de processamento de raízes. Com oferta restrita, deve haver maior disputa pela matéria-prima em 2021.

Quanto ao clima, ao menos no 1º trimestre, o fenômeno La Ninã pode se apresentar mais acentuado, com bons volumes de chuvas em parte dos estados das regiões Norte e Nordeste, mas baixo índice de precipitações, principalmente na região Sul, de acordo com as informações do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec).

As consideráveis altas nos preços de diversos produtos agropecuários devem continuar influenciando a disputa por área. Com exceção dos locais em que a mandiocultura já está mais consolidada, outras atividades, especialmente grãos e pecuária, devem tomar parte das áreas com as raízes. Essa decisão também deve estar atrelada ao comportamento dos preços ao longo deste ano.

Fécula de Mandioca

A possível consolidação da retomada da economia em 2021 deve influenciar positivamente o mercado de amidos. Considerando-se que a oferta de amido de milho – principal concorrente da fécula de mandioca – deve continuar restrita, há a possibilidade de o derivado da mandioca ter maior participação, sobretudo nos segmentos industriais, que, inclusive, já tiveram maior interesse pelo produto em boa parte de 2020.

Vale destacar que esse cenário dependerá do tamanho da oferta de fécula de mandioca e do comportamento dos preços. Exceto em 2020, nos anos anteriores, a maior utilização do amido de milho se deu em função de preços mais estáveis, ao contrário do que ocorria na cadeia industrial da fécula.

O Boletim Focus do Banco Central do Brasil (Bacen) aponta que, em 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 3,49%, resultado satisfatório frente à taxa negativa do ano anterior, de -4,40%. Além disso, a inflação deve estar mais controlada, refletindo em maior demanda. O Bacen aponta, ainda, crescimento de 5% na produção industrial, que é um forte indicativo para o maior consumo de produtos como a fécula de mandioca, que é insumo em um grande número de aplicações. Em setores como o de papel e celulose, já há projeções de alta nos preços.

Em 2021, a expectativa do valor do dólar é de R$ 5,00, o que pode favorecer as exportações de fécula, inclusive pelo fato de que algumas firmas já negociaram lotes com entrega pelo menos até abril. Essas perspectivas dependem do comportamento dos preços e do consumo no mercado interno, o que pode diminuir os excedentes exportáveis.

Como já observado em anos anteriores, a produção deve se manter praticamente estável, uma vez que não tem havido novos entrantes. O setor deve continuar tendo concentração de mercado, sobretudo com o crescimento da produção dos grupos de fecularias.

Farinha de Mandioca

A demanda por farinha de mandioca esteve firme em 2020, devido à pandemia, e esse cenário pode se manter em 2021, com a menor renda da população. Até então, o consumo vinha recuando, especialmente nas regiões Nordeste e Norte, que acabam substituindo a farinha por outros alimentos, como as farofas semiprontas.

Para 2021, o desafio da indústria de farinha é se manter com preços atrativos em um contexto de restrição de renda. A expectativa é de continuidade das transações regionais, com baixa comercialização entre as mesorregiões brasileiras. Para as farinheiras do Centro-Sul, a negociação deve seguir concentrada nos grandes centros consumidores do Sudeste e Centro-Oeste, com vendas pontuais para o Norte e Nordeste, desde que se tenha excedente.

As farinheiras do estado de São Paulo e do Paraná podem ter dificuldades de manter a moagem, sobretudo se houver melhora na demanda pela fécula de mandioca. Assim, em alguns momentos, a indústria de farinha poderá ter alguma influência no mercado de raízes.

As previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam chuvas regulares nos principais estados produtores de mandioca do Nordeste, com destaque para Pernambuco, Alagoas e Sergipe, que, nos últimos anos, têm aumentado a quantidade produzida. Assim, esses locais devem continuar autossuficientes e, em alguns momentos, até abastecer os demais estados da região.

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Conteúdo com informações do Cepea/Esalq.

 

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