Mercado do Arroz: Preço atingiu alta de 130% no ano, chegando a média mensal de R$ 105/saca

  • 17/12/2020
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  • Categoria(s): Mercado de Arroz |

Balanço Anual do Arroz

Aumento da demanda interna, alta do dólar e inviabilidade na importação do arroz de fora, fizeram os produtores operarem boa parte do ano comandando o mercado. Confira:


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Mercado do Arroz Brasil

O mercado do arroz começou o ano colhendo o cereal da safra 2019/20 e visualizando a subida nas cotações mesmo em um período de maior oferta do grão. Essa valorização nos preços foi presenciada já em janeiro, porque os estoques brasileiros de arroz estavam bem limitados, enquanto que a demanda sinalizava aumento na procura.

A produção de arroz da safra 2019/20 ficou em 11,183 milhões de toneladas, aumentando 6,67% em relação a safra anterior. Porém, mesmo com o mercado apresentando uma oferta maior, os indicadores subiram porque o consumo interno passou de 10,278 milhões de tons para 10,800 milhões de toneladas de um ano para o outro.

Além da lei da oferta e demanda atuarem fortemente nos preços, a alta do dólar que começou a se elevar rapidamente após o anúncio dos primeiros casos da Covid-19 pelo mundo, também deu suporte para os preços continuarem subindo. Isso inclusive foi o fator que mais atuou no mercado do arroz durante o ano, porque essa valorização do dólar também impactava no aumento do custo para importação do arroz vindo de fora.

Com a inviabilidade da importação de arroz dos principais parceiros do Brasil, os produtores passaram a pedir valores ainda mais altos pelo grão.

Para acentuar ainda mais a valorização do cereal no mercado doméstico, com a implantação das medidas restritivas para a contenção da Covid-19, medidas de isolamento social foram tomadas e isso aumentou a procura dos consumidores por itens alimentícios da cesta básica, incluindo é claro, o tradicional arroz.

Deste modo, já no primeiro semestre a amplitude na cotação do arroz chegou a acumular 40% de alta em relação ao ano anterior.

Com o dólar batendo R$ 6 e influenciando o mercado de forma contínua, os produtores continuaram exigentes em relação aos preços, irredutíveis em ofertar o produto a preços mais baixos, uma vez que mesmo mais cautelosas nos negócios, as beneficiadores seguiam apresentando necessidade de comprar a matéria-prima para suprir a necessidade do consumidor final.

Outra questão que deu ainda mais relevância a subida dos preços, foi a atratividade que os orizicultores tiveram em exportar o arroz, aumentando em mais de 50% o volume destinado ao mercado externo em 2020 quando comparado ao ano anterior. As vendas externas muitas vezes eram mais vantajosas que os negócios internos, fazendo com que o mercado local competisse as aquisições do produto com os compradores de outros países.

Esse quadro foi visualizado em boa parte do ano e somente no último trimestre, com a desvalorização do dólar e um leve recuo na demanda doméstica é que os preços finalmente pararam de subir e se estabilizaram. Ainda assim, o ano terminou com o preço do arroz valendo 115% a mais no Rio Grande do Sul, maior produtor brasileiro de arroz. Demais regiões também tiveram aumentos, com alta entre 38,32% a 108,52%.

Cotação do Arroz

Entrando então no assunto das cotações, o mercado do arroz sentiu uma escalada nos preços que começou já no mês de janeiro e seguiu desenfreada até o mês de outubro. Em novembro é que os indicadores apresentaram uma leve estabilidade, chegando no mês de dezembro, marcando um leve recuo.

Essa queda se deve em função do baixo volume de arroz para negócio neste momento, já que quase toda a safra 2019/20 já foi comprometida, com as beneficiadoras supridas de produto e, porque os produtores estão focados nas atividades do campo neste momento, já realizando os tratos culturais da safra 2020/21.

A média no preço do arroz do Rio Grande do Sul saca 50 kg paga ao produtor FOB, finalizou o ano a 70,93. A variação atual registrada ficou em 115,78%.

Já no levantamento do Cepea/Esalq, com informações do Senar/RS, os indicadores do arroz do Rio Grande do Sul flutuaram em uma valorização de 23,5% a 130% durante os meses do ano, comparado a igual período do ano anterior. Os meses de setembro e outubro foram os que apresentaram os maiores ganhos, com a saca valendo R$ 105,38 no décimo mês do ano.

Oferta e Demanda e Produção para Safra 2020/21

Segundo o terceiro levantamento da Conab sobre a safra brasileira de grãos 2020/21, o Brasil deverá produzir 10,943 milhões de toneladas de arroz no próximo ciclo, com uma queda de 2,1% em relação ao resultado passado.

Embora a área cultivada tenha apresentado 3,2% de aumento comparado a safra anterior, a produtividade caiu 5,2% e deverá ter um rendimento médio de 6,366 mil kg/ha.

A forte seca que predominou por um longo período do Rio Grande do Sul, trouxe um quadro de incertezas frente a produção de arroz irrigado 2020/21, já que os reservatórios de água chegaram a níveis mínimos para o desenvolvimento da cultura. Com o atraso no desenvolvimento, a produtividade fica comprometida.

Ainda conforme outros indicadores da Conab, os estoques de arroz estão em 473,5 mil toneladas, um dos menores dos últimos anos. Somados a produção da próxima safra e uma estimativa de importação de 1,1 milhões de toneladas de arroz, o suprimento total ficaria em 12,481 milhões de tons. Se o consumo local permanecer 10,8 milhões de tons e a exportação se manter na projeção de 1,1 milhões de tons, os estoques finais do próximo ciclo deverão chegar em 581,2 mil tons.

Exportação do Arroz Brasil

Em 2020 a cotação do arroz brasileiro foi favorecida com a alta do dólar, que tornou o cereal atrativo para os compradores externos.

Deste modo as exportações deslancharam totalizando 1,368 milhões de toneladas, com aumento de 54,25% em relação ao ano anterior (dados de jan-nov).

Os principais compradores foram: 1º Venezuela, 2º Senegal, 3º Costa Rica, 4º Peru e 5º Serra Leoa.

O mês que mais apresentou variação nos embarques, foi o mês de junho, quando em 2020 foram exportadas 245,97 mil toneladas contra os 18,348 mil tons movimentados em igual período de 2019.

Nas importações, o Brasil realizou a aquisição de 750 mil toneladas de janeiro a novembro, com queda diante dos mais de um milhão de tons importados em igual período do ano passado.

Arroz Mercado Externo

De acordo com o levantamento mundial de oferta e demanda do USDA em sua versão de dezembro, a produção mundial de arroz safra 2020/21 deve ficar em 501,2 milhões de toneladas, que somados ao estoque inicial ficarão em 679,42 milhões de tons, aumento de 0,95% na oferta em relação a safra passada.

A demanda mundial foi projetada em 500,44 milhões de toneladas com incremento de 1,14% em relação a safra 2019/20. Isso deve resultar em um estoque final de 178,98 milhões de toneladas, com 0,43% de aumento diante da safra passada.

A pandemia da Covid-19 impactou todo o mercado mundial e também a demanda sobre os alimentos mais básicos, incluindo o consumo de arroz, como foi notado nos dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

Esse cenário alavancou as cotações do grão por todo o mundo e deste modo, a Bolsa de Chicago também registrou aumentos nos contratos futuros em maior parte do ano, porém, apresentando maior volatilidade, diante das incertezas causadas pela pandemia.

Ainda assim, o ano finalizou com a CBOT tendo uma valorização de 5% nos vencimentos de mar/21.

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