Mandioca – Balanço Semanal: Média nominal é a maior desde janeiro/20 , preços registram alta de quase 50% em uma semana

  • 13/10/2020
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  • Categoria(s): Raiz de Mandioca |

Cotação da Mandioca

Segundo levantamento do Cepea, apenas uma parte dos produtores de mandioca dispõe de raízes para a comercialização, visto que a poda foi feita em muitas lavouras, em períodos de preços baixos. Além disso, apesar das chuvas em parte das áreas, o clima seco prevalece, o que também prejudicou o avanço dos trabalhos no campo, mantendo a oferta de raízes para as indústrias de fécula e de farinha baixa. Este cenário impulsionou novamente as cotações, e a média nominal desta semana foi a maior desde janeiro deste ano. Confira:

Raiz de Mandioca

A recente melhora na comercialização dos derivados de mandioca e a expectativa de uma retomada ainda mais expressiva das vendas no último trimestre deste ano aumentaram a demanda por matéria-prima. Em alguns casos, esse cenário até já resultou em disputa por raízes.

De acordo com estimativas do Cepea, devem ser processadas 22 mil toneladas de mandioca pela indústria de fécula entre 21 e 25 de setembro, queda de 29,3% frente ao volume consolidado na semana anterior. A ociosidade industrial teve média de 74% da capacidade instalada.

Como resultado, as cotações registraram altas expressivas em todas as regiões. A média nominal a prazo para a tonelada de mandioca posta fecularia subiu 35% na semana, a R$ 526,09. Esta é a maior média, em termos nominais, desde janeiro deste ano.

Parte dos agricultores já considera o rendimento de amido das lavouras com até 1 ciclo e meio – que teve média semanal de 554,11 gramas, na tabela de renda 20 – como fator para a tomada de decisão para a colheita. Assim, levando-se em conta que este venha a ter recuos ainda mais expressivos com o aumento da temperatura, a oferta pode ser afetada.

No curto prazo, o clima também deve continuar influenciando a oferta e os preços. O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) aponta que a probabilidade de chuvas até as primeiras semanas de outubro é baixa nas regiões produtoras de mandioca do CentroSul. Este possível cenário e a baixa disponibilidade nas lavouras devem manter o ritmo de moagem abaixo das expectativas.

Vale destacar, ainda, que a demanda por derivados deve seguir se recuperando, seja pela retomada das atividades econômicas, que já tem sido observada em vários segmentos (como o industrial), ou pelo planejamento de final de ano, que tende a se fortalecer a partir de meados de outubro.

A baixa umidade, o pequeno número de lavouras de 2º ciclo disponíveis e a falta de interesse dos produtores pela comercialização de raízes mais novas mantiveram a oferta baixa. Além da baixa disponibilidade de lavouras, o interesse pela colheita de mandioca mais nova diminuiu no centro e no extremo-oeste do Paraná, principalmente por parte dos agricultores que já liberaram áreas para o cultivo da soja, o que se agravou com o clima seco. A média semanal no Paraná subiu 29%, para R$ 538,92/t.

Segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab/Deral), até final de setembro, 68% da mandioca do estado já foi colhida, o mesmo patamar de igual período do ano passado. Quanto ao plantio, 64% das áreas foram ocupadas até setembro, enquanto que, no mesmo período de 2019, 75% da área total havia sido cultivada. Na safra 2019/2020, a área com mandioca no Paraná deve ser de 150 mil hectares, crescimento de 10% frente à temporada passada. Em igual período de comparação, a produtividade agrícola deve crescer 5%, para 24 t/ha, resultando em avanço de 16% na produção, que deve totalizar 3,6 milhões de toneladas.

Com o fim das lavouras de 2º ciclo e o baixo interesse dos mandiocultores pela comercialização de raízes mais novas – o que foi agravado pelo clima seco –, a oferta de mandioca continuou baixa para as empresas do extremo-sul de Mato Grosso do Sul nesta semana. Apesar de ter havido algumas chuvas no sudeste do estado, a baixa disponibilidade de lavouras de 2º ciclo limitou a oferta para a indústria de fécula local, que ficou praticamente parada. O preço médio semanal para MS foi de R$ 529,32/t aumento de 38%.

No oeste do estado de São Paulo, foram registradas apenas chuvas localizadas, com pouco efeito sobre a retomada da colheita, uma vez que parte dos agricultores prioriza o plantio da soja ou do amendoim, ou entrega as raízes nas empresas do Paraná– que tem remunerado melhor. Na região paulista, o valor médio semanal subiu 47%, para R$ 481,14/t.

Fécula: Demanda se recupera em momento de baixa produção

O mercado de fécula ficou ainda mais movimentado nesta semana em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Compradores de amido de vários segmentos passaram a ter maior necessidade de se abastecer, devido aos baixos estoques ou à expectativa de que a produção continue caindo.

Com oferta e rendimento de amido em queda, a produção de fécula de mandioca recuou 30% na semana, para 5,9 mil toneladas. Além disso, o acumulado produzido neste ano está 1% abaixo do de 2019.

Os estoques, que estão concentrados em um pequeno número de empresas, passaram a cair mais rapidamente. Diante disso, com expectativa de queda na produção, parte da indústria diminuiu os negócios para priorizar clientes tradicionais. Outras empresas, por sua vez, mantiveram as vendas suspensas, pelo menos até que o ritmo de produção seja normalizado.

Nesta semana, o preço médio nominal a prazo para a tonelada de fécula (FOB fecularia) foi de R$ 2.935,00, subindo 29,5% frente à média anterior.

A procura pela fécula do noroeste do Paraná cresceu consideravelmente, mas a liquidez seguiu baixa. Poucas empresas dispõem de produto em estoque e priorizaram atender clientes tradicionais ou cumprir entregas do produto já comercializado. A procura por fécula do centro-oeste do estado foi maior, especialmente pelo setor atacadista e alguns segmentos da indústria. No extremo-oeste paranaense, houve boa liquidez, especialmente para o setor industrial, destacando-se papel e embalagens.

Foi maior a procura pela fécula do extremo-sul de Mato Grosso do Sul, principalmente pelo segmento alimentício, entretanto, os baixos estoques limitaram o avanço dos efetivos. No sudeste do estado, a baixa oferta também limitou o avanço dos negócios, que destinaram-se principalmente ao setor atacadista.

Na expectativa de menor oferta e já se planejando para o período de final de ano, parte dos atacadistas esteve mais presente no mercado nesta semana, com disposição para negociar maiores lotes no oeste do estado de São Paulo.

Farinha: Procura aumenta, mas estoques de indústrias são baixos

Assim como observado para as fecularias, a indústria de farinha de mandioca também registrou diminuição na quantidade de mandioca ofertada, o que reduziu a produção em muitos casos. Com baixos estoques, parte da indústria teve dificuldades em atender novos compradores, e a liquidez recuou.

Visando elevar a quantidade produzida, parte das farinheiras teve como estratégias aumentar a remuneração aos agricultores ou se abastecer em regiões mais distantes.

Ainda assim, a oferta seguiu baixa, e as cotações subiram.

A procura pela farinha do noroeste do Paraná se intensificou nesta semana; porém, diante dos baixos estoques e da incerteza quanto à produção, parte da indústria suspendeu as vendas. Houve interesse de compradores do Norte e Nordeste, o que sinaliza uma retomada das aquisições.

Com baixos estoques de farinha de mandioca, parte da indústria do centro-oeste paranaense tem priorizado atender aos pedidos de clientes mais cativos. Com isso, a liquidez seguiu baixa, mas com fortes altas nos preços.

No oeste do estado de São Paulo também houve maior procura pela farinha, inclusive de atacadistas do Nordeste. Entretanto, com menos produto em estoque, os efetivos foram poucos e destinados a comerciantes da Grande São Paulo e do interior do estado.

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