Arroz – Balanço Semanal: Após alta histórica nos preços, indicadores operam estáveis, mas ainda acima dos R$ 100/saca

  • 17/09/2020
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  • Categoria(s): Mercado de Arroz |

Cotação do Arroz

Os altos preços do arroz em casca no mercado interno têm estimulado ações importantes na cadeia produtiva, como a importação de 400 mil toneladas de fora do Mercosul com isenção da Tarifa Externa Comum (TEC), divulgada na semana passada. Analisando a viabilidade de importação e com cautela para novas negociações, uma parcela dos agentes se retirou do mercado, cenário que resultou em elevações moderadas nos preços domésticos comparativamente a semanas anteriores, mas dentro do equilíbrio. Confira:


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Arroz Brasil

O preço do arroz continua com movimento de alta em meio a necessidade de reposição dos estoques por parte das indústrias e a baixa quantidade ofertada pelos produtores. Somada à isso, destaca-se o menor excedente exportável dos parceiros do Mercosul, tradicionais mercados exportadores para o Brasil.

Na semana passada, foi anunciado pelo Governo Federal a suspensão da Tarifa Externa Comum (TEC), que era de 10% para arroz em casca e 12% para arroz beneficiado, para 400 mil toneladas até o final de dezembro de 2020. Logo, como hoje o principal balizador de preços tem sido as paridades de importação de países fora do Mercosul (EUA e Ásia). Hoje, o preço de paridade da Tailândia se encontra decomposto até o produtor no Rio Grande do Sul em R$ 85,66/sc. Antes da suspensão da TEC, essa paridade estava calculada próxima de R$ 100,00/sc.

Sendo assim, a expectativa é que essa medida de liberação das barreiras alfandegárias nacionais para o mercado do arroz tenha o reflexo de ameno arrefecimento nos preços. Todavia, a quantidade estimada de importação de arroz até o final da Safra 2019/2020 não se altera, sendo alterado apenas o valor que este produto será internalizado. A perspectiva é de importação de 1,1 milhões t na safra em questão.

Balança Comercial do Arroz

Segundo dados do ComexStat para o mês de agosto, o Brasil exportou 213,0 mil toneladas (base casca) com uma média de preço de US$483,92/t para arroz polido. Sobre as importações, o volume contabilizado no mesmo período foi de 61,9 mil toneladas, sendo o Paraguai o principal país fornecedor com um preço médio de comercialização de arroz polido de US$387,56/t. Com isso, a balança comercial do grão apresenta, no acumulado da Safra 2019/2020 (março/20 à agosto/20), um superávit de 883,2 mil toneladas.

Com a reversão projetada para os próximos meses no comportamento da balança comercial do arroz, projeta-se um superávit para o final da comercialização da Safra 2019/2020, entre março de 2020 e fevereiro de 2021, de 400 mil toneladas.

Arroz Mercado Externo

No mercado externo do arroz, o cenário está aquecido no sudeste asiático, mesmo com a pequena oscilação negativa tailandesa na semana. Com a menor oferta no Vietnã e na Tailândia e as dificuldades logísticas para o escoamento de arroz na Índia, a tendência é de preços com ameno viés de alta para o segundo semestre de 2020.

Importação de arroz em casca tem alta de 310% em setembro

Aumento coincide com a liberação de compras do produto de fora do Mercosul com tarifa zerada.

As importações de arroz tiveram aumento substancial em setembro, considerando o acumulado das duas primeiras semanas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia. A alta coincide com a retirada da Tarifa Externa Comum (TEC) sobre a compra de 400 mil toneladas de fora do Mercosul.

As compras do produto com casca, paddy ou bruto pelo Brasil tiveram alta de 310% em volume na parcial de setembro até a segunda semana, totalizando 6.914 toneladas. Já as importações do arroz sem casca ou sem-elaborado, polido, glaceado, quebrado, parbolizado ou convertido também cresceram, mas menos. Foram importadas 26.668 toneladas, cerca de 14,7% mais do que o total adquirido na primeira quinzena de setembro do ano passado.

A isenção das importações começou a ser discutida em meados de agosto, quando a Associação Brasileira das Indústrias de Arroz (Abiarroz) enviou um pedido à câmara setorial do Ministério da Agricultura, para que fosse analisada a escassez do produto no mercado interno.

A medida se concretizou na semana passada, quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex) liberou o total de 400 mil toneladas, com tarifa de importação zerada para arroz não parboilizado, polido ou brunido, até 31 de dezembro de 2020.

Cada empresa fornecedora terá, inicialmente, cota máxima de 34 mil toneladas do produto. Após atingida a quantidade máxima inicialmente estabelecida, novas concessões para a mesma empresa estarão condicionadas ao efetivo despacho para consumo das mercadorias. E a quantidade liberada será, no máximo, igual à parcela já desembaraçada.

Segundo a diretora-executiva da Abiarroz, Andressa Silva, essa medida pode garantir um teto no preço e possibilitar o abastecimento interno com o produto. “Não podemos concluir que vá haver queda nos preços, mas sem dúvida essa medida pode servir como um teto para que os preços não subam ainda mais, e o principal efeito é de complementar a oferta de produtos no mercado interno”, disse, em entrevista ao Canal Rural.

Setor teme impactos

Rizicultores podem ser os mais prejudicados com a medida, de acordo com Fernando Rechsteiner, presidente do Sindicato Rural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e membro da comissão de arroz da Farsul.

“A grande preocupação com a retirada da tarifa é de que se crie um estoque artificial do produto, causando impacto para os produtores na entrada da próxima safra. Os estoques elevados vão prejudicar especialmente os pequenos produtores, que já estão descapitalizados e vão precisar negociar sua produção no início da nova safra”, avalia.

Rechsteiner, que também é produtor de arroz, considera que as importações neste momento são desnecessárias, uma vez que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) garantiu, segundo ele, que existe um estoque de 500 mil toneladas de arroz para a próxima safra. “Com esses números, não existe risco de desabastecimento”, afirma.

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