Panificação: Nova moda da pandemia é (tentar) fazer pão em casa. Mas será que isso irá ameaçar o setor das panificadoras?

  • 19/08/2020
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  • Categoria(s): Notí­cias Populares |

Panificação

Se tentou fazer pão em casa na pandemia, não foi ideia original. Com o confinamento, muitos consumidores do mundo todo compraram farinha e fermento e puseram mãos à massa. E as vendas de máquinas de pão dispararam. Porém, será que esse movimento pode ameaçar o setor de panificação futuramente? Confira o levantamento de um estudo feito em Portugal, mas que vale também para o mercado brasileiro.

Juntar a farinha e um pouco de fermento. Acrescentar uma pitada de sal e alguma água. Amassar, amassar, amassar. Sem um forno a lenha em casa, fazer pão caseiro é, para muita gente, uma tradição distante, do tempo dos pais ou avós. E mesmo para quem possa ter um, por vezes, falta a arte e o engenho, porque confeccionar pão não é tarefa fácil. Tudo isto era verdade… até que veio a pandemia.

Com o estado de emergência declarado em março, milhões de consumidores ficaram em casa. Uns trabalhando, outros de férias ou mesmo sem emprego. Os hábitos de consumo alteraram-se subitamente. Houve corridas aos supermercados em busca de alguns produtos inesperados, como o papel higiênico e as conservas alimentares. Mas essas foram as tendências visíveis, porque outras só vieram a manifestar-se mais tarde.

Foi o caso do pão caseiro, uma “moda” que ganhou expressão nas redes sociais durante o confinamento e que conquistou o mundo. Não fossem os portugueses apreciadores de pão, essa moda também chegou, naturalmente, a Portugal. Registaram-se aumentos na procura por produtos como farinhas e fermentos, mas também por máquinas de pão, chamadas de panificadoras automáticas. Um pequeno luxo para muitos, ou quiçá uma heresia para os mais puristas da tradição nacional.

“Tivemos muita gente a comprar fermento e até farinha”, revela Luís Gonçalves ao ECO, vice-presidente da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP). “Logo naquela fase inicial, do estado de emergência, passados uns dias, começou a surgir muita gente a pedir fermento de padeiro para fazer pão em casa e a perguntar até as receitas. Estavam a experimentar”, recorda o profissional.

Como muito do que se passou desde o início da pandemia, dificilmente se explica com exatidão a tendência. Para Luís Gonçalves, terá surgido “um movimento na internet”. “Alguém famoso apareceu a fazer pão em casa e parece que começou a espalhar-se”, aposta.

O fenômeno suscitou a curiosidade de Luís Gonçalves. “Pelo que perguntei, a pessoas conhecidas com quem estava à vontade para perguntar, disseram que viram na internet. Também tinham muito tempo livre em casa, algumas com empresas fechadas que quiseram aprender outra coisa. E também por causa das crianças, pessoal com filhos.”

Outro fator, poderia ter sido o receio da crise sanitária, que pode ter levado algumas pessoas a optarem por fazer o seu próprio pão em vez de pão feito por desconhecidos. Mas não foi o fator principal: “Do que falei com as pessoas, não. Pode também ser, mas vinham aqui comprar”.

Vendas de máquinas mais do que duplicaram

Um dos maiores desafios de se fazer pão em casa é o momento de assá-lo. Não é fácil de fazer pão num forno residencial, e mesmo fazendo, dificilmente se obtém um pão com aquela crosta habitual. “Vai depender muito da pessoa. Se calhar, o maior entrave vai ser o forno mesmo, e a parte da levedação. Há maneiras artesanais: com uma bacia [tapada] com um pano em ambiente húmido e quente é possível. Depois o forno é que pode fazer grande diferença. Tem de ter algum vapor. Em casa não pode ganhar aquela corzinha”, explica Luís Gonçalves.

Assim, a outra hipótese são as máquinas de pão, geralmente compostas por uma cuba antiaderente com duas pás, disposta sobre uma resistência. O aparelho faz sozinho todo o processo de amassar, levedar e cozer e, no fim, ao retirar o pão da cuba, basta remover as pequenas pás que ficam no interior do pão. Sem surpresa, as vendas destes pequenos domésticos dispararam durante a pandemia.

“De fato, temos notado um aumento bastante significativo na procura de máquinas de fazer pão, nas lojas Worten, curiosamente desde a altura do confinamento, quando foi decretado o estado de emergência nacional, em virtude da Covid-19”, reconhece fonte oficial da Worten Portugal. “Sem poderem sair de casa, muitos portugueses decidiram dedicar mais tempo à cozinha, sendo a confecção de pão caseiro uma tendência que se foi cimentando no seio das famílias e que, de resto, tem permanecido pós-confinamento”, acrescenta.

Também a Fnac Portugal observou um aumento da procura por panificadoras automáticas. “É possível dizer que, em relação a estes equipamentos, que dispõem apenas da funcionalidade de fazer pão, o volume de vendas ficou acima da expectativa para o primeiro semestre de 2020. Se alargarmos esta análise a robôs de cozinha com esta mesma funcionalidade, comparando o período de março a junho de 2020 com o ano anterior, as vendas cresceram 70%”, admite fonte oficial da marca. Salienta, no entanto, que não é possível fazer uma comparação direta com o ano passado em termos de máquinas de pão, porque, “durante o mesmo período a que nos estamos a referir, a venda de máquinas de pão foi muito residual, pelo que se torna difícil fazer um comparativo em relação a este ano”.

Ameaça ao setor? Nem tanto!

Com os portugueses a optarem por fazer pão em casa, o futuro do setor estará sob ameaça? Para Luís Gonçalves, não há motivos para acreditar que assim seja. “Olhando aqui para a venda do pão, não notamos grande diferença”, assegura. A moda será, por isso, uma tendência passageira: “Penso que tiveram curiosidade para experimentar, mas depois voltarão a comprar, porque o pão não é algo caro”, assegura. A diferença é grande face à área da pastelaria, em que a quebra nas vendas provocada pela pandemia “foi brutal”. “Pastelaria caiu muito e cafetaria também. Agora, o pão manteve-se”, diz o profissional.

De fato, os preços relativamente acessíveis do pão de fábrica profissional poderão ditar que esta nova tendência da pandemia não venha a passar disso mesmo. A somar aos custos dos ingredientes, quem quer fazer pão em casa deve contabilizar ainda um gasto com eletricidade ou gás (dependendo do tipo de forno), mais o tempo que tem de investir em amassar, levedar, moldar e cozer o pão.

Mas se a experiência resultar num delicioso pão caseiro, toda a despesa extra pode valer a pena. Ainda mais nos casos de quem pretende passar algum tempo em conjunto, a aprender ou a partilhar aventuras. Se for o seu caso, há inúmeras receitas por toda a internet, incluindo de tipos de pão que não precisam de ser amassados. Basta procurar o nome do pão que deseja, desde o normal ao saloio, pão de amêndoa, de coco ou qualquer outro. Incluindo até massa para pizzas.

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Fonte: Flavio Nunes, Eco.

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