Acordo inicial entre Estados Unidos e China deve afetar exportações do agronegócio e da indústria no RS

  • 21/01/2020
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Agronegócio Brasileiro

Assinada neste mês, a primeira fase do acordo comercial entre americanos e chineses tende a provocar efeitos em Estados brasileiros com tradição exportadora como o Rio Grande do Sul. Caso os termos anunciados sejam cumpridos, o acerto deve reduzir as vendas externas de parte da indústria e do agronegócio gaúcho.

No entanto, os possíveis impactos não se resumem a perdas. Para analistas, a previsão é de que a trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China também diminua o nível de tensão que abalou a economia mundial desde 2018. Ou seja, a confirmação do alívio reduziria riscos internacionais à retomada da economia brasileira. E o Rio Grande do Sul pegaria carona nessa situação um pouco mais confortável.

O acordo inicial determina corte de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos da China. Em troca, os asiáticos têm de intensificar importações de mercadorias americanas, especialmente no setor do agronegócio. Em dois anos, os chineses precisariam comprar, no mínimo, US$ 32 bilhões adicionais em itens agrícolas dos Estados Unidos. Por isso, o agronegócio gaúcho tende a ser afetado.

Em meio à guerra comercial, a potência asiática passou a adquirir mais de parceiros como o Brasil para recompor o que deixou de obter do país de Donald Trump. A soja e o milho e outros produtos agrícolas do agronegócio brasileiro, apresentaram um aumento grande na demanda pelos chineses.

Estimativa do centro de estudos Insper Agro Global sinaliza que o Brasil pode perder US$ 10 bilhões em exportações do agronegócio à Ásia caso os termos do acordo inicial sejam cumpridos em sua totalidade. Até o momento, não há projeção para o eventual impacto no Rio Grande do Sul, já que as estatísticas do setor com recorte estadual sofrem defasagem em sua divulgação, frisam analistas.

– Quando as duas principais economias do planeta entram em conflito, o desempenho de todo o mundo desaquece. A sinalização de acerto é boa para todos. Mas o que também chama atenção é o fato de os Estados Unidos exigirem preferência nas compras feitas pela China. Isso é ruim para o Brasil – pontua Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul, a Federação da Agricultura do Estado.

Entenda o conflito

A guerra comercial entre EUA e China começou a provocar efeitos em 2018. Caracterizado pela criação de tarifas entre as duas potências, o embate surgiu em meio à elevação do poderio dos asiáticos na economia internacional. Projeções indicam que os chineses tendem a superar os americanos no posto de maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo – a dúvida é quando a ultrapassagem ocorrerá.

Presidente dos EUA, Donald Trump iniciou a taxação de produtos do país asiático em março de 2018. Trump dizia que buscava proteger as mercadorias americanas. Como resposta, a China impôs série de tarifas sobre itens dos EUA.

A tensão se espalhou pelo mercado financeiro. No Brasil, provocou a desvalorização do real frente ao dólar em mais de uma ocasião.

Ao mesmo tempo, por causa da imposição de tarifas, segmentos exportadores do Rio Grande do Sul e do restante do país encontraram brecha para vender mais para EUA ou China. Entre eles, o agronegócio brasileiro e a indústria calçadista.

Apesar do estímulo pontual a exportações brasileiras, especialistas mencionam que a guerra comercial eleva incertezas, o que faz o desempenho da economia mundial desacelerar. Com a permanência do conflito, surgiu a possibilidade de recessão internacional nos próximos anos – o PIB global passaria a cair.

Na reta final de 2019, EUA e China sinalizaram trégua. A assinatura da primeira fase do acordo ocorreu no último dia 15. Washington também deve reduzir, gradativamente, taxas sobre mercadorias chinesas. Em troca, o país asiático tende a elevar compras de produtos, especialmente agrícolas, dos EUA.

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Conteúdo baseado no artigo “Acordo inicial entre Estados Unidos e China deve afetar exportações do agronegócio e da indústria no RS” por Leonardo Vieceli, via Gauchazh.

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