Trigo argentino: nova alíquota não deve impactar no preço final do produto brasileiro, avalia Abitrigo

  • 17/12/2019
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  • Categoria(s): Mercado de Trigo |

alíquota de exportação Trigo da Argentina

Em meio à crise na Argentina, o governo peronista de Alberto Fernández, que tomou posse no último dia 10, decidiu como ação prioritária na área econômica elevar os impostos  sobre as exportações agrícolas. A medida proposta, entre outras que fazem parte de um projeto de lei,  visa a estabilizar os preços dos alimentos no mercado argentino para lidar com uma grave crise instaurada, declarou nesta terça-feira o ministro da Economia, Martín Guzmán.

“Todas essas medidas são pensadas como parte de programa abrangente, estão todas interconectadas, estamos tendo muito cuidado para resolver todos os desequilíbrios”, disse Guzmán em entrevista coletiva, segundo noticiado pela agência Reuters.

O país vizinho é o principal fornecedor de trigo importado para mercado brasileiro. Os brasileiros temem que a  medida do novo governo argentino venha impactar os preços de derivados do trigo, como pão e macarrão, e que o ano novo traga em janeiro, além de impostos a pagar como IPVA, IPTU, mais esse aumento refletido no bolso do consumidor.

Contudo,  segundo os analistas, ainda é cedo para dimensionar o efeito, pois o Brasil poderia redirecionar suas compras para outros países, como EUA e Canadá, que também são grandes produtores do grão.

Segundo a  Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), mais de 80% da commodity utilizada pelas indústrias é de origem Argentina. Logo,  as importações argentinas representam cerca de 40% do consumo nacional.

Por telefone, em entrevista à equipe AFNews,  o embaixador e presidente da entidade,  Rubens Barbosa, explicou  que  a fixação de novas taxas  pelo governo argentino é absorvida pelos próprios produtores de lá.  “Eles não repassam para o preço final” e assegurou:  “ não haverá  impacto para o  Brasil”.

Quanto ao temido aumento do pão francês e macarrão no início de 2020, o embaixador acrescentou:  “ do ponto de vista da indústria, isso não deve acontecer, ao menos não como reflexo da taxação da Argentina”.

Crise

A Argentina tem enfrentado uma crise recessiva  há mais de um ano e índices de inflação ultrapassando os 55% ao ano e índice de pobreza de quase 40%.

O texto do decreto que baseou a decisão do presidente argentino diz:  “Levando em consideração a grave situação que as finanças públicas enfrentam resulta necessária a adoção de medidas urgentes de caráter fiscal que permitam atender, ao menos parcialmente, as despesas orçamentárias com recursos genuínos", explica a resolução.

Como ficam as taxações?

O teto de taxação de 4 pesos por dólar até então definido no governo do ex-presidente Maurício Macri  ficou defasado . As vendas agrícolas ao exterior passarão a ter retenções de alíquotas em 12%.  O decreto de Fernández é aplicado parcialmente para o trigo, o milho e a soja, sobre os quais incidirão  as novas taxas.  

*Com informações da Reuters

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