Agronegócio Brasileiro: Quais as expectativas para o setor em 2020?

  • 10/12/2019
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Agronegócio

Em 2019 o agronegócio brasileiro vivenciou dois fatores externos que mudaram completamente o cenário do setor: Guerra Comercial entre Estados Unidos e China e peste suína africana (PSA), que acabou elevando o consumo de produtos agrícolas brasileiros, aumentando a exportação. Estes dois eventos valorizaram a soja, o milho e o mercado de carnes do Brasil. Para 2020, as expectativas são otimistas e grandes nomes da economia brasileira chegam a dizer que o ano que vem, será um ano excepcional!

O ano de 2019 está se encerrando com um grande marco para o agronegócio brasileiro: o recorde no volume de exportações dos produtos agrícolas brasileiros, especialmente do milho. No entanto, fatores externos que não tiveram nenhuma intervenção do governo e, que não foram previstos anteriormente pelos analistas, acabaram sendo primordiais para a obtenção desses resultados, como a Guerra Comercial e peste suína africana (PSA).

Para 2020, o mercado tem previsões otimistas para o setor do agronegócio, sendo fortalecidas especialmente pelo mercado de carnes e grãos aquecidos e o dólar bastante valorizado. O cenário para 2020 é bastante promissor, visto que nunca foram vistos antes, tantos fatores favoráveis juntos para o avanço do agronegócio.

Expectativas para 2020: Peste Suína Africana e o mercado de carnes

A PSA acabou dizimando quase a metade dos plantéis de suínos da Ásia, aumentando assim, a demanda por carne bovina e aves do Brasil. Para a recomposição do plantel de porcos da Ásia, possivelmente as leis e fiscalização sanitária do continente passem a serem mais rígidas a partir de 2020. Com isso, a nutrição animal passará de alternativa, como era praticada antes do surto da PSA, para uma alimentação por meio de ração. Sendo assim, a China irá aumentar a sua necessidade de importação de matéria prima como soja e milho e o Brasil é um potencial fornecedor desses produtos.

Além disso, essa recuperação do plantel dos suínos é um processo longo que levará no mínimo quatro anos para ser refeito. Desta forma, a necessidade de importação das carnes brasileiras tende a continuar aquecida pelos próximos anos.

Segundo o economista e sócio-diretor da MBAgro Consultoria, Alexandre Mendonça de Barros, que apresentou projeções para o agronegócio brasileiro em 2020, através do painel econômico do Agrocenário 2020 na última semana (04). Em 2020 deve haver um buraco de 23 milhões de toneladas de carne suína na China, correspondendo a 20% da produção mundial, gerando uma demanda mais agressiva por carnes.

O economista ainda destacou que a expectativa positiva para o agronegócio brasileiro em 2020 se deve a junção de três fatores: “É muito raro um ano em que grãos e carnes estão com bom preço. Geralmente, se as carnes têm alta, o produtor de grãos é comprimido. É uma oportunidade gigante para o agronegócio brasileiro, somado ao fator câmbio.”

Expectativas para 2020: Guerra Comercial e o posicionamento do Brasil

Já a Guerra Comercial, conforme já mencionado por um grande especialista do agronegócio Marcos Jank (professor de Agronegócio Global do Insper), se tornou para o Brasil um “bilhete premiado”, mas sem um prazo determinado para acabar. Isto porque em 2018, a China acabou importando somente 9 milhões de toneladas de soja norte-americana, enquanto que comprou do Brasil cerca de 70 milhões de toneladas, pagando prêmios que chegaram a R$ 25 no Porto de Paranaguá.

Mesmo com a demanda por soja brasileira tendo continuado aquecida em 2019, este cenário, porém, não se repetiu em boa parte do ano por conta de um possível acordo entre Estados Unidos e China, que acabou reduzindo os prêmios pagos aos produtores de soja brasileiros. Embora um acordo esteja incerto, ao momento em que o relacionamento entre Estados Unidos e China volte a normalidade, o Brasil poderá perder uma grande fatia conquistada no mercado asiático no ano passado e neste ano.

Enquanto isso não se confirma, o agronegócio brasileiro segue aproveitando esta oportunidade única, mas com cautela em relação a oferta da soja e principalmente do milho. Atrasos na colheita da safra de soja, especialmente em Goiás e Mato Grosso do Sul, podem atrapalhar o plantio do milho safrinha em 2020, acarretando prejuízos para o calendário agrícola e na negociação do produto, que registrou em 2020 um recorde de exportações devido a alta demanda mundial.

Reforma tributária e comunicação

Atualmente a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 45, que trata da Reforma Tributária está em pauta no governo, mas traz algumas incertezas para o setor do agronegócio brasileiro. Alguns produtores rurais pressentem que essa “simplificação” na arrecadação de impostos por uma guia única poderá aumentar o valor dos impostos arrecadados, diminuindo mais ainda na margem de lucro dos produtores, além de impactar diretamente na formação de preços.

O governo afirma por meio dos seus representantes que a Reforma Tributária só tende a ser benéfica e que pode até reduzir os custos tributários dos agricultores, porém, enquanto esses dados não se confirmar, os produtores têm se unido por meio de WhatsApp e outras fontes de comunicação, para seguirem unidos e resistindo a essa decisão.

Por falar em comunicação, em 2020 muitas ocorrências, principalmente se tratando do meio ambiente, envolveram o agronegócio brasileiro em polêmicas. Por outro lado, nunca o agronegócio esteve tão forte em relação a comunicação e propagação de informações técnico-científicas e concretas para combater as Fake News e melhorarem a imagem do setor, especialmente no mercado externo.

Ainda assim, há muita coisa a ser feita, para que o exterior deixe de tratar o agro brasileiro de forma pejorativa, é o que afirmou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em sua participação no Agrocenário 2020.

A ministra, que também é produtora rural, deixou claro que o país tem diversos programas de cultivo sustentável como o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) e o RenovaBio (política nacional de biocombustíveis) e disse que para um avanço maior do agronegócio brasileiro, a ciência, tecnologia e pesquisa desenvolvida pelos agricultores empresariais deve ser acessível também ao pequeno e médio produtor.

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