Ponto de Vista: proteína animal brasileira deverá continuar no prato dos chineses por pelo menos mais cinco anos, diz ABPA

  • 29/11/2019
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  • Categoria(s): Notí­cias Populares |

Ricardo Santin - diretor-executivo da ABPA

Nos últimos dias, os preços da arroba  e da carne bovina no atacado tiveram forte alta, subindo mais de dois dígitos no acumulado do mês, aumento que já chegou aos açougues e supermercados. A principal queixa dos brasileiros  é que está muito caro comprar carne de boi neste mês. Segundo especialistas, esse recorde é resultado das aquecidas demandas externa e interna - com a proximidade das festas de fim de ano,  e da baixa oferta de animais prontos para abate.  

Considerando o salto nas demandas, no mercado doméstico, nesta época do ano, é comum observar aquecimento nas vendas, devido as festas de fim de ano,  quando atacadistas se abastecem, à espera de aumento na procura por carne. Já no  caso das Exportações, o volume embarcado pelo Brasil se mantém acima das 100 mil toneladas desde julho de 2018, resultado que tem sido influenciado especialmente pela demanda chinesa – em 12 de novembro , inclusive, novas Plantas Frigoríficas Brasileiras foram habilitadas para exportar carne ao país asiático.

A proteína animal brasileira, isso inclui a carne de boi, suína e de frango,  tem alimentado não só o apetite dos chineses, mas também de outros mercados globais. Para acompanhar a ‘efervescente’ procura pelos produtos com carimbo do Brasil, a AFNews Notícias Agrícola conversou com o diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, que  sob o “Ponto de Vista” da entidade respondeu à algumas questões ligadas ao tema.  

AFNews -  Recentemente, o governo brasileiro anunciou a habilitação de mais 13 plantas frigoríficas para vender carnes à China. Qual a avaliação da ABPA sobre a notícia, já era esperada? 

ABPA - As cinco novas plantas produtoras e exportadoras de suínos e as três unidades de aves devem ampliar ainda mais a importância da China na pauta exportadora de proteína animal.  Agora, o Brasil passa a contar com 16 plantas habilitadas para exportar carne suína para o mercado chinês, e 46 plantas para embarques de carne de frango.

Recebemos a notícia com grande otimismo, mas sem surpresas.  A Ministra Tereza Cristina liderou missões, juntamente com o setor produtivo, e promoveu vários esforços com o objetivo de habilitar novas unidades frigoríficas.  As sinalizações positivas dadas nos encontros foram reforçadas pelo quadro de forte demanda vivido pelo mercado chinês.

AFNews -  Como é feita a distribuição destas plantas? Quais regiões do país são mais privilegiadas?

ABPA - A habilitação é definida pelas autoridades chinesas.

AFNews - Em consequência da peste suína africana nos países asiáticos, a procura pela importação brasileira da proteína de frango tem aumentado consideravelmente.  China, somada a Hong Kong, recebeu 22,6% de toda a carne embarcada de janeiro a outubro deste ano. Essa tendência deve permanecer em 2020?  

ABPA - Há a expectativa de manutenção da demanda chinesa.  O quadro gerado pela crise sanitária em território chinês não é de curto prazo.  Alguns analistas indicam até cinco anos para reversão do quadro.  Por isto, além da demanda por carne suína, outras proteínas, como a carne de frango, deverão manter fluxo intenso de embarques para o país asiático. 

AFNews -  As exportações da carne suína também tiveram alta nos indicadores de outubro da entidade (23% resultado cambial), o que segue impulsionando as vendas? 

ABPA - A crise sanitária que ocorre em vários países da Ásia, incluindo a China, deu impulso às exportações.  Nossas exportações para o mercado asiático cresceram exponencialmente, decorrente da falta de carne suína.  Conforme o Rabobank, a China – que era o maior produtor mundial de carne suína, com 54 milhões de toneladas anuais – deve ter reduzida em 25% a sua produção de 2019. Desde janeiro deste ano, a China assumiu a liderança entre os principais destinos das exportações da avicultura e da suinocultura do Brasil. Entre janeiro e outubro, o país asiático importou 183,1 mil toneladas de carne suína (+40% em relação ao mesmo período do ano passado), gerando receita de US$ 429,8 milhões (+66%). De carne de frango, foram 444,7 mil toneladas (+22%), com resultado cambial de US$ 931,7 milhões (+38%).

AFNews - Do "Ponto de Vista" da ABPA, o Brasil tem tomado medidas suficientes para se proteger da PSA?

ABPA - O Brasil intensificou seus esforços para prevenir a entrada da enfermidade, como a realização de campanhas de esclarecimentos no campo, intensificação da aplicação dos protocolos de biosseguridade, investimentos para ampliação do controle em aeroportos, entre outros.

AFNews -  A ABPA e Apex-Brasil , uniram forças a fim de  promoverem  uma ação durante evento com  autoridades sanitárias da China. Qual foi o objetivo traçado e a visibilidade alcançada?

ABPA - A ABPA mantém com a Apex-Brasil uma parceria de longa data, voltada para a promoção comercial e a ampliação dos negócios do setor exportador da avicultura e da suinocultura do Brasil.  São ações nas maiores feiras de alimentos, em mercados estratégicos para a nossa produção.  Somente este ano, foram três grandes feiras chinesas com presença da ABPA e seus associados.  A mais recente, na CIIE, buscou fortalecer laços com autoridades sanitárias chinesas – público alvo do evento, que tem por objetivo definir o plano de exportações da China para os próximos anos.

AFNews -  Em outubro deste ano, um foco da doença (PSC) registrado no estado de Alagoas chamou a atenção. A ABPA fez até uma Nota de Esclarecimento sobre o caso, dissociando qualquer comparativo quanto à gravidade das enfermidades encontradas nos suínos da Ásia, África e Europa. Por que o estado alagoano não estaria inserido na região brasileira considerada livre da enfermidade pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), conforme conteúdo da Nota?  

ABPA - Isto é importante esclarecer: Peste Suína Africana não é Peste Suína Clássica, uma doença de menor grau de gravidade e proliferação.    Alagoas, alguns outros estados, não constam na denominada área livre da doença, conforme a OIE.  As áreas com maior volume de produção, e com foco também em exportação, buscaram e obtiveram esta certificação, no âmbito das ações do Ministério da Agricultura, anos atrás.

AFNews - O mercado da carne brasileira tem crescido exponencialmente, chega a ser controverso pensar: por que um produto que alimenta tantos países lá fora, continua custando tão caro ao consumidor final no mercado doméstico brasileiro?

ABPA - No que tange à carne de frango, carne suína e ovos – contemplados pela ABPA – esta é uma visão equivocada.   Os preços médios praticados no Brasil são inferiores aos praticados em nações produtoras.  Não à toa, o Brasileiro é um dos maiores consumidores de carne de frango do mundo.  O índice de consumo de proteína animal no Brasil, na casa dos 100 kg anuais (considerando bovinos e outras carnes) é considerado elevado.  Eventualmente há oscilações de mercado, mas são mais motivadas por impulsos de margem praticados pelo atacado e varejo, do que pelas agroindústrias produtoras. 

AFNews -  O preço da carne bovina disparou quase 20% em dez dias, recorde da cotação do boi gordo, o que gerou expectativas positivas para os pecuaristas, mas negativas para os consumidores. Como a ABPA equilibra essa ‘equação’ de mercado?

ABPA - A ABPA não interfere em questões de preço de mercado, e segue estritos critérios de compliance, em acordo com o CADE. 

AFNews -  O quê pecuaristas e consumidores do mercado da carne podem esperar para 2020?

ABPA - Para avicultores, suinocultores e consumidores de produtos destes setores, a expectativa é de oferta interna sustentada por bons níveis de produção, com consumo estável.  Sinais positivos podem influenciar o aumento dos níveis de consumo, conforme a melhora do quadro econômico interno do País.

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