Melhoramento Genético: Perfil Genético de Plantas na Proteção de Cultivares (Parte 2)

  • 25/11/2019
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Notícias agrícolas

A AF News iniciou na semana passada um conteúdo referente às preocupações dos melhoristas e geneticistas, sobre o tema da proteção de novas cultivares desenvolvidas. Ou seja, quando uma determinada empresa lança uma tecnologia podendo ser uma nova semente melhorada geneticamente, como a soja Bt, cabe aos profissionais da Engenheria Biogenética proteger esse “patrimônio genético”, criando o que pode-se chamar de uma impressão digital na semente. Mas como isso é possível? Esta será a segunda parte do conteúdo. Confira!

Para relembrar, o conteúdo de Melhoramento Genético: Perfil Genético de Plantas na Proteção de Cultivares (Parte 1) está disponível clicando aqui.

Marcadores Moleculares na Proteção de Cultivares

A utilização de ferramentas moleculares vêm sendo cada vez mais aplicadas na proteção de cultivares, em função do elevado grau de precisão oferecido pelas técnicas.

Uma das técnicas moleculares mais significativas para o melhoramento genético de plantas é denominada fingerprinting molecular. O fingerprinting molecular ou perfil genético, é como a “impressão digital” do material, que é obtido pela genotipagem do material por meio de marcadores moleculares.

Ainda que não obrigatórios, os perfis genéticos/fingerprinting de materiais podem ser solicitados na hora de registrar a cultivar. Principalmente em casos de espécies propagadas por clonagem.

Um exemplo é o teste de DHE para eucalipto, o qual exige a utilização de 25 marcadores microssatélites, internacionalmente referendados, para informar o fingerpinting das cultivares. E, em espécies que apresentam estreita base genética, como a soja, onde cultivares são obtidas por hibridações entre genótipos elite geneticamente semelhantes e muitas vezes as características são indistinguíveis.

Os marcadores moleculares possibilitam ainda a discriminação da contribuição genética dos genitores na população gerada. Por isso, podem também ser usadas em casos de incertezas sobre a genealogia da cultivar. E em casos de suspeita de fraude e aquisição indevida de sementes.

Critérios para a seleção de Marcadores Moleculares

Segundo o BMT (Grupo de Trabalho e Técnicas Bioquímicas e Moleculares e Perfis Moleculares), da União Internacional para Proteção das Obtenções Vegetais (UPOV), os marcadores devem apresentar dois critérios de seleção:

Reprodutibilidade: as análises realizadas em diferentes laboratórios apresentam mínima variabilidade entre si.

Repetibilidade: uma análise repetida no mesmo laboratório e nos mesmos equipamentos, em ocasiões distintas, deverá apresentar variabilidade mínima em seus resultados.

Ao se utilizar marcadores moleculares para identificação e proteção de cultivares é necessário seguir a premissa de validação da técnica e garantir um mínimo de reprodutibilidade. E antes do ensaio deve ser escolhido um conjunto de variedades que detenham os alelos de referência para que sejam inclusas em todas as análises (controles positivos).

Segundo o SNPC de todas as cultivares registradas, mais de 50% possuem caracterização molecular.

Classes de marcadores que podem ser utilizadas na identificação e proteção de cultivares

A capacidade de discriminar genótipos dos métodos de perfil molecular é de dois fatores:

Do número de marcadores utilizados e da frequência de cada loco dentro da espécie.

Dessa forma, é necessário um estudo prévio da variabilidade genética dos loci para cada espécie a ser avaliada.

As principais classes de marcadores aplicadas em estudos de fingerprinting são: os microssatélites ou Single Sequence Repeat (SSR), os Single-Nucleotide Polymorphisms (SNP), os Cleaved Amplified Polymorphic (CAPS) e os Sequence-characterized Amplified Regions (SCAR).

Entretanto, os mais difundidos são os microssatélites, que se baseiam na técnica de PCR (Polymerase Chain Reaction) e oferecem diversas vantagens: são codominantes e multialélicos, facilmente avaliados, abundantes no genoma, mapeiam diferentes regiões cromossômicas, apresentam reprodutibilidade e elevado poder de detecção.

Os SNPs também são altamente eficientes e seguros para determinação do perfil genético. Porém, sua obtenção torna a análise mais onerosa em temos de custos quando comparado às demais classes.

Os marcadores CAPS e SCAR não vem sendo muito utilizados na proteção de cultivares.

Então, por que utilizar marcadores moleculares na proteção de cultivares?

Marcadores moleculares figuram como ferramentas que auxiliam e dão mais robustez aos testes de DHE.

E depois de concedida a proteção, o perfil genético identifica os cultivares evitando fraudes por uso indevido, além de garantir o direito intelectual do melhorista sobre a nova cultivar.

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Conteúdo publicado com base no artigo “Perfil Genético na Proteção de Cultivares”, por Rodrigo Monte Lorenzoni da Laborgene – Agrogenética.

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