Carne de boi mais cara no açougue? Saiba o porquê

  • 22/11/2019
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  • Categoria(s): Mercado de Carnes |

carne açougue

Faltando quase 30 dias para as festas de fim de ano, os brasileiros que apreciam uma boa carne na grelha ou no espeto, ao ponto ou bem passada, no tradicional churrasco do almoço de natal, terão de preparar o bolso. É que o apetite chinês, que aumentou as importações de carnes do Brasil, fez a arroba do boi disparar nas últimas semanas, e o repasse já começa a chegar às gôndolas dos supermercados e açougues de todo país, pelos próximos dias.

E a procura deve continuar pressionando os preços para as festas de fim de ano, dizem os especialistas.  Segundo dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que faz pesquisa de preço semanalmente no município de São Paulo, as carnes bovinas subiram 4,2%, em média,  na segunda quadrissemana de novembro (acumulado em 30 dias).

O contrafilé, teve alta registrada  em 5,86%, e a alcatra, 3,63%.  A picanha subiu menos, 0,32%. Os dados da pesquisa foram divulgados na última terça-feira, 19. De acordo com a Fipe, os valores continuarão a subir até o início de 2020, o que até certo ponto é normal acontecer devido o movimento de fim de ano; porém, a alta do período tem extrapolado anos anteriores.

Segundo o especialista responsável pela pesquisa, o que justificaria os valores é uma combinação de entressafra e exportações fora do padrão.

Exportações em alta

A China vem enfrentando  queda da produção de suínos devido a uma grave crise sanitária em seu rebanho desde o fim de 2018,  motivo pelo qual obrigou os chineses a elevar as importações,  ampliando,  inclusive,  a procura de outras proteínas, como a bovina.

O Brasil, que mantém o status de ser o principal exportador mundial de carne bovina e de frango, se beneficiou disso.  Por outro lado, essa demanda surgiu justamente na entressafra do boi, quando a oferta é menor – em parte por causa da diminuição de matrizes após a Operação Carne Fraca, há dois anos, que derrubou os preços do setor– e quando o consumo interno aquece devido às festas.

Inevitavelmente, a combinação de todos esses fatores culminou  na disparada do preço do boi, que chegou a R$ 204,05 na terça-feira (19), segundo o indicador Esalq/B3. A alta em 12 meses atingiu a marca de quase 40% .

O que se viu foi, semana a semana, o episódio da carne escalando índices de alta nos frigoríficos. Na terceira quadrissemana de outubro, por exemplo, houve uma pequena queda, de 0,08%, nos preços para o consumidor, segundo a Fipe. Em compensação, na primeira quadrissemana de novembro, as carnes tinham tido alta de 2,17%, taxa que quase dobrou na última pesquisa.

Os supermercados já esperam repassar novas altas para os clientes nas próximas semanas, e não é só o boi que fica mais caro. A carne suína, seguindo o apetite dos chineses, também deve acompanhar  as variações da carne bovina. Segundo a Fipe, as carnes de porco tiveram aumento médio de 3,11% na segunda quadrissemana de novembro. O pernil com osso teve aumento registrado de  4,75%.

* Com informações da Folha

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