Novos hábitos dos consumidores e visão internacional de importantes mercados, temas chamaram atenção nos painéis da Abitrigo

  • 03/10/2019
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

alimento saudável

“As mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros” se evidenciam nas gôndolas de supermercados, com o aumento crescente da oferta de produtos na linha dos  integrais e orgânicos. Esse novo comportamento em sociedade por uma vida mais saudável tem ocasionado constantes transformações nos canais de distribuição e uma urgente necessidade  das empresas em se adaptarem ao novo formato.

Um dos painéis mais aguardados do Congresso da Abitrigo 2019, realizado em setembro na cidade de Campinas,  trouxe à luz várias reflexões sobre o papel da indústria neste processo desencadeado mundo afora pelos consumidores, que adquirem produtos mais saudáveis, a começar pelo rótulo.

Com mais de 70 mil padarias no Brasil, sendo 93% delas de pequeno e médio porte, o diretor executivo da ABIP (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria), Giovani Mendonça, chamou a atenção para a queda no consumo do pão francês e a busca por produtos com apelo de mais saudabilidade no mercado. 

Para se adaptar a este cenário, o dirigente reforça a necessidade de uma farinha de melhor qualidade, sem aditivos e, também, integrais, para atender ao consumidor, que está cada vez mais exigente. 

"A revolução do setor de panificação precisa do moinho. O salto de qualidade da farinha brasileira é necessário", pontua Mendonça, que crava o prazo de cinco anos para essa revitalização das padarias.

Alimentação Saudável

Já o presidente executivo da ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos),  João Dornellas, criticou a falta de informação que tem transformado o setor em vilão mundialmente, sendo responsabilizado pelo aumento de casos de obesidades e doenças crônicas.

"A indústria não se furta de sua responsabilidade, e tem trabalhado junto ao Ministério da Saúde para um programa de vida saudável, junto com incentivo ao esporte", explica o executivo, que destaca a retirada de 310 mil toneladas de gordura trans e mais de 17 mil toneladas de sódio 35 categorias de alimentos industrializados,  nos últimos sete anos, além da diminuição da concentração de açúcar.

Dornellas destaca, ainda, a importância da qualidade da informação para que as pessoas façam boas escolhas alimentares. "O consumidor precisa ter informação para tomar uma decisão. O que defendemos é que não se diga "alto em sódio", e sim que dê a porcentagem em relação ao total. Cada um tem seu estilo de vida, e é com base nele que as escolhas são feitas", concluiu.

O presidente-executivo da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados), Cláudio Zanão,  revela que a entidade também tem formalizados acordos semelhantes com o Ministério da Saúde. “Em novembro de 2018, assinamos um acordo com Ministério da Saúde para a redução de açúcar nos alimentos industrializados”. A meta é audaciosa, acrescentou Zanão.  “Nosso objetivo é que o setor contribua para a diminuição do consumo do ingrediente pela população brasileira para menos de 10% do total das calorias diárias ingeridas até 2022”.

O dirigente também desmistificou a vilania atribuída a alguns alimentos. “Em paralelo, sabemos que precisamos incentivar e orientar a sociedade de maneira inteligente, mostrando que os biscoitos, massas, pães e bolos Industrializados não são os vilões da dieta”, Isto porque, segundo ele, além de saborosos, possuem atributos voltados à saudabilidade.  “Esses produtos podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, fornecendo os nutrientes necessários”, explicou.  

Visão internacional

Guardado para o último painel do  26º. Congresso Internacional, o tema “A visão internacional da indústria do Trigo” despertou grande interesse dos participantes e contou com a presença de lideranças do Brasil, Paraguai, Argentina, Rússia e Estados Unidos, tendo como moderador o embaixador e presidente executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa. 

O Superintendente da Ocepar, Robson Mafialeti destacou o protagonismo da região sul na produção do cereal, sendo que 85% do trigo brasileiro é produzido no Paraná e no Rio Grande do Sul. A perspectiva, segundo Mafialeti, é de que essa cultura se expanda para o centro do país.

Para o subsecretário de mercados agropecuários da Argentina, Jesús Silveyra, o mercado  argentino - principal fornecedor de trigo para o Brasil -  não teme perdas,  mesmo após a entrada em vigor da cota de importação sem TEC. "Seguimos sendo vizinhos, irmãos, provedores de trigo, com um frete conveniente. O brasileiro está acostumado ao trigo argentino, e seguiremos com essa confiança", afirmou. 

Já o representante do mercado russo, Bart Swankhuizen, diretor da Sodrugestvo  além de trazer as estatísticas de  crescimento da produção nacional de trigo, atualmente estimada  em 75 milhões de toneladas - o que torna a Rússia a maior produtora global do cereal - , comentou sobre os planos para o mercado brasileiro. 

A chegada do trigo russo ao Brasil se tornará possível por causa da entressafra do produto argentino, registrada nos meses de julho e outubro, quando os grãos vindos do país vizinho ficam mais caros, abrindo dessa maneira espaço para a compra no mercado brasileiro.

E por último, não menos importante, o  representante dos Estados Unidos, presidente da US Wheat, Vince Peterson, falou sobre a cota de importação sem imposto entre Brasil e EUA.  Apesar de, o anúncio soar como novidade,  o executivo esclareceu que as conversas entre os dois países já vinham acontecendo desde a década passada, e manifestou interesse de que a união permaneça "por outros 50 anos", encerrou.

*Com informações da Assessoria de Imprensa da Abitrigo

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