Brasil é considerado o segundo maior consumidor e o primeiro importador de cloreto de potássio

  • 06/09/2019
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Notícias agrícolas

Embora não esteja envolvido diretamente no conflito da guerra comercial entre os Estado Unidos e a China, o Brasil está reforçando seu papel na disputa, principalmente no que tange às exportações de soja.

Para conseguir exportar mais soja, o Brasil precisa de mais fertilizantes fosfatados para aumentar a produtividade. E um dos destinos para adquiri-los é a Rússia.

Como apontado em trabalhos e pesquisas diversas, o salto na produção brasileira de grãos nas últimas décadas, em larga escala, foi devido ao uso mais intensivo de tecnologia no campo, refletido, no consumo recorde de fertilizantes ao longo da década.

O Brasil não produz fertilizantes porque esses nutrientes dependem de matéria-prima geológica e o custo é muito alto. Uma dessas matérias-primas é o potássio, nutriente em que o Brasil é considerado o segundo maior consumidor e também o primeiro importador, pois compra cerca de 92% de cloreto de potássio que usa nas atividades agrícolas. O potássio cumpre um papel importante nos ganhos de produtividade operados pelo campo.

Há uma séria questão geopolítica por trás da produção e oferta globais do mineral, já que as maiores reservas estão concentradas na Bielorrússia, Rússia e no Canadá, países que concentram praticamente todo o comércio mundial de potássio.

A estimativa é de que a Rússia seja responsável por pouco mais de 40% do suprimento do fertilizante para o Brasil. Se caso os russos decidissem por restringir a oferta ou elevar o preço do potássio, o Brasil sofreria uma interrupção na produtividade das lavouras.

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Balanço do mercado

O consumo de cloreto de potássio atingiu uma nova marca histórica no ano passado ao se aproximar de 9,801 milhões de toneladas, num avanço de 3,08% em relação a 2017, quando as entregas do fertilizante ao consumidor final atingiram 9,508 milhões de toneladas.

As despesas com importações do cloreto de potássio cresceram proporcionalmente menos, em função do recuo dos preços internacionais do minério, especialmente após o colapso do mercado internacional, em 2013, com o fim do cartel formado por duas empresas da Rússia, e da Bielorrússia, que juntas respondiam por quase metade do comércio global de fertilizantes potássicos.

Existe outro fator estratégico no setor, o que torna o balanço entre oferta e demanda mais delicado. A partir de 2014, por conta do bloqueio econômico promovido pelas potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, numa reação internacional à intervenção Russa na Ucrânia, a agricultura russa passou a assegurar a autossuficiência alimentar do país, tornando a Rússia ainda em exportadora líquida de grãos para o resto do mundo.

Os russos são atualmente os maiores exportadores globais de trigo, com produção estimada neste ano em 81,0 milhões de toneladas, das quais 37,8 milhões deverão ser destinadas ao mercado externo. Essa autossuficiência assegura aos russos uma posição estratégica no tabuleiro global.

 

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