Conjuntura de grãos: 37,2 milhões de toneladas do Paraná engrossam a estimativa da safra de grãos brasileira

  • 24/07/2019
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

O Paraná está na reta final da colheita da safra de grãos 2018/19 e o resultado parcial é bastante animador, apesar das perdas sofridas em algumas culturas com as geadas tardias deste mês de julho. A análise é do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, que divulgou os dados, nesta quarta-feira (24).

Com um volume total de 37,2 milhões de toneladas, que equivale a um aumento de 5% sobre a safra anterior, que rendeu  35,4 milhões de toneladas. A safra seria ainda maior não fosse as perdas na soja, de 17%, e no trigo, algo próximo a 16% da produção.

Em compensação, a segunda safra de milho, que já está com 65% da área colhida, apresenta um dos melhores resultados da história do grão, no estado.  

Já o trigo, como dito anteriormente, não teve a mesma sorte. A onda de frio atingiu em cheio o trigo plantado na região Oeste do estado, que estava em fase suscetível, segundo o relatório técnico.  “As lavouras das regiões Sul e Norte foram pouco prejudicadas  e não apresentaram perdas significativas”, disse o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho.

Queda na estimativa do Trigo não tira a liderança do estado

Mesmo com as perdas significativas de algumas lavouras de Trigo por conta do clima, o Paraná continua na liderança da produção de trigo no país, informou o Deral.

De acordo com  órgão,  inicialmente a estimativa era de uma  produção na casa de 3,2 milhões de toneladas. Agora esse volume baixou para 2,7 milhões, uma queda de 500 mil toneladas, que corresponde a 16% da produção.  

A explicação é que as perdas provocadas pelas geadas este ano não ultrapassam as 100 mil toneladas,  tendo como parâmetro de produção a safra passada, é claro. Em 2018 foram  colhidas 2,8 milhões de toneladas de trigo no Paraná.

Nesta safra foram plantados um total de um milhão de hectares com trigo, dos quais 80 mil hectares apresentam perda total nas lavouras. Só no oeste paranaense,  a quebra alcançou 51% da produção prevista para a região. Com isso, o Deral reduziu para 10% a participação do Oeste na triticultura do estado. Não fosse as temperaturas negativas do frio intenso dos dias 07 e 08 de julho, principalmente, o Paraná atenderia seu autoabastecimento, em torno de 3 milhões de toneladas.

Milharal dos Bons

A produção do milho surpreendeu e o resultado é um dos melhores da história em volume colhido nesta segunda safra, com recorde de maior produtividade dos últimos anos.  

De acordo com o Deral, a segunda safra de milho deverá alcançar produção de 13,7 milhões de toneladas. O aumento é de 50% em relação ao que foi colhido no mesmo período do ano passado, cujo volume foi em torno de 9,1 milhões de toneladas.

O clima mostrou-se favorável  durante todo o desenvolvimento vegetativo dos milharais. A colheita já atinge 65% da área plantada e o resultado está alcançando uma produtividade média de 6.100 quilos por hectare, a marca também é uma das maiores da história do estado.

Com esse resultado, as duas safras de milho cultivadas no Paraná somam um volume de 16,7 milhões de toneladas, que vai colaborar com a safra brasileira que este ano deve ser recorde, atingindo 98 milhões de toneladas.

O milho paranaense também vai atender as demandas do mercado doméstico e externo, que por sinal está em alta. No Brasil, a demanda por milho está aquecida em virtude da produção de carne suína, cuja cadeia está se expandindo para outros mercados no cenário internacional.

Este ano também haverá exportação de milho em grão em maior quantidade, prevê o Deral. Isto porque a China e a Rússia estão comprando carne suína do Brasil e do Paraná. Do total de  30 milhões de toneladas que deverão ser exportadas pelo Brasil, entre 3 a 4 milhões sairão do Paraná.

Por conta desse aquecimento, os preços estão se sustentando entre R$ 28,00 e R$ 30,00 a saca, considerados bons.

Quebra na Soja e Feijão

As lavouras de soja e de feijão da safra 2018/19 estão colhidas e os resultados são de queda na produção de soja, devido a problemas climáticos , que ocorreram  no último trimestre do ano passado, quando faltaram chuvas durante o desenvolvimento vegetativo, disse o economista Marcelo Garrido, do Deral.

Segundo ele, a expectativa inicial era colher 19,6 milhões de toneladas, mas foram colhidas 16,2 milhões. A perda corresponde a  17%, ou seja, 3,4 milhões de toneladas do grão.

Para o produtor a preocupação com a comercialização é que tem mexido com os ânimos,  porque a cotação da soja está enfrentando turbulências no cenário interno e externo.

No cenário brasileiro,  o preço está submetido ao câmbio que está em baixa no momento. E no cenário internacional,  a guerra comercial entre Estados Unidos e China, e a peste suína ocorrida na China que derrubou a compra do grão pelo país asiático, provocam instabilidades.

Com isso, a saca da soja está sendo comercializada em média por R$ 66,40, valor 13,2% menor que em igual período do ano passado, quando foi vendida em média por R$ 76,50.

As duas primeiras safras de feijão plantadas no Paraná já estão colhidas, restando no campo a terceira safra plantada de forma localizada na região Norte, constituindo uma safra pequena em relação às duas primeiras.

Segundo o Deral, o Paraná produziu este ano 602 mil toneladas de feijão, mantendo a liderança da produção nacional.

Fonte: Deral/AENPR

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