Milho: doze curiosidades para saciar sua fome de saber sobre o cereal milenar

  • 02/07/2019
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  • Categoria(s): Derivados de Milho |

O milho é um cereal ‘empoderado’. Não é a toa que em determinados ciclos de vida  ele apresente “barba ou cabelo”, como preferir chamar. Já em outros, uma calvície vegetal justificável. Nem todo milho vira pipoca. Isto é fato! Mas, não pense que essas características definem sua sexualidade, porque o milho é monóico,  isto é,  possui as flores dos dois sexos na mesma planta.  Mais à frente, falaremos um pouco mais detalhadamente sobre isso. É o cereal mais consumido no mundo, depois do trigo e do arroz.

É dotado de alto valor nutritivo, saboroso, barato e de cultivo muito simples, qualidades que o tornam insubstituível na alimentação e versátil na indústria, além de ser totalmente acessível a qualquer mesa.

Por isso não causa estranheza e muito menos surpresa a extensa relação de produtos derivados do milho e o volume que é produzido e exportado todos os anos, especialmente no Brasil, que se consolidou como o segundo maior exportador mundial do cereal.

O milho alcançou status ao ser referenciado como uma das  “grandes culturas”, porque tem peso tanto na economia como na alimentação humana e animal e nas múltiplas aplicações na indústria.

A seguir, conheça doze curiosidades sobre o milho, que nunca sequer passaram pela sua cabeça:

1-Teosinto: a origem biológica do milho
Uma descoberta de cromossomos similar ao do teosinto, uma gramínea que deu origem ao milho que conhecemos hoje, por meio de um processo de seleção e domesticação inventados pelo homem.  Nem todo mundo acreditou nessa teoria, mas pesquisas posteriores confirmaram o parentesco entre as duas espécies e indicaram o vale de Balsas, no sul do México, como o berço da transformação do teosinto em milho, datada entre 7 mil e 9 mil anos atrás.

2-Tem parentesco com o sorgo e o milheto
Quinto cereal mais plantado no mundo, atrás do trigo, arroz, milho e cevada, o sorgo pertence à mesma família do milho. É uma planta de origem africana, usada para ração animal – principalmente de bovinos – em países como Brasil, Estados Unidos e Austrália e como fonte direta de alimento para milhões de pessoas na África, Ásia e América Central. Destina-se, ainda, à produção de bebidas alcoólicas, melaço, xarope e etanol. Os EUA são os maiores produtores mundiais de sorgo, também chamado de milho-zaburro. No Brasil, destacam-se no plantio desse grão as regiões de Goiás e Minas Gerais. Outro parente próximo do milho é o milheto ou painço, que surgiu há cerca de cinco mil anos ao sul do Deserto do Saara e atualmente é muito empregado na alimentação humana na Índia e em nações africanas. No Brasil, foi introduzido pelo Rio Grande do Sul, em 1929, sua utilidade vai de ração animal e pasto para gado até cobertura do solo no sistema de plantio direto. Seus grãos também servem para preparo de bolos, biscoitos e mingaus. Além disso, nos últimos anos o milheto tem tido grande sucesso no Cerrado, em razão de sua resistência à seca.

3-Primeiros apreciadores
Pesquisas indicam que o primeiro país sul-americano que cultivou milho foi o Peru, onde foram encontrados grãos com quatro mil anos de idade. A Europa só conheceu o cereal a partir do século 16, levado pelas grandes navegações. Mas, quando as caravelas de Cabral chegaram a Porto Seguro, os habitantes originais do Brasil já conheciam o milho há muito tempo. Quase todos os grupos indígenas brasileiros plantavam milho, que, depois da colonização do país pelos portugueses, tornou-se também um dos principais alimentos consumidos pelos escravos trazidos da África.

4-Preferência mundial
O milho é oitavo alimento mais consumido no mundo, perdendo apenas para leite e derivados, trigo, arroz, batata, cerveja, açúcar e tomate. O Brasil está na quarta posição no ranking de consumo, depois dos Estados Unidos, da China e da União Europeia. A cada ano, o Brasil consome em torno de 66 milhões de toneladas de milho, o que dá, mais ou menos, 180 milhões de quilos por dia, ou 7,5 milhões de quilos por hora! com essa quantidade, a pergunta que não quer calar: será que brasileiro gosta?

5-Destinação na indústria
Embora seja tão popular no preparo de mil pratos gostosos, em torno de 80% do milho que o Brasil produz e não exporta é destinado à fabricação de ração animal. Os 20% que sobram são processados e se transformam em produtos como óleo, fubá, farinha e amido e parte das receitas de macarrão instantâneo, papinhas para bebês, salsichas, linguiças, salgadinhos, temperos, pães e mais uma infinidade de aplicações, algumas surpreendentes. Por exemplo, é usado com agente filtrante pela indústria farmacêutica, na flotação de minérios, na fundição do ferro, na produção de gesso, como emulsificante na indústria química, na fabricação de papelão, em fertilizantes, e por aí afora.

6-Pipoca, quem resiste?  
Nem todo milho estoura e vira pipoca. A variedade que dá sabor ao assistir a um filme  numa noite tranquila em casa é a Zea mays everta, cujas espigas são menores do que as do milho comum. O “segredo” é a capacidade do grão de armazenar água na parte interna, que estoura quando submetida ao calor, rompe a casca e se transforma em uma massa de amido e fibras – a pipoca, descoberta pelos primeiros índios que cultivaram o milho. Os grãos que não estouram, conhecidos como piruás, ocorrem quando há furos ou rachaduras na casca do milho, fazendo com que o vapor escape e a casca não exploda; ou quando não se atinge a temperatura necessária, ou ainda quando o grão contém água demais ou de menos. Agora, já imaginou o quanto os índios devem ter se divertido em volta da fogueira com o estouro dos grãos?

7-Do etanol a fogos de artifícios
Os subprodutos do milho têm uma infinidade de usos para além da indústria alimentícia. Com o grão, também é possível produzir etanol, obtido tradicionalmente no Brasil a partir da cana-de-açúcar.  No Mato Grosso, já existem usinas “flex”, que fabricam biocombustível tanto a partir da cana quanto do milho. O amido e outros compostos derivados do grão estão presentes, ainda, em complexos vitamínicos, medicamentos (antibióticos como a penicilina), talco infantil, cosméticos, adesivos, rótulos, tecidos engomados, graxas e resinas. O amido de milho entra também na formulação de produtos de limpeza, filmes fotográficos, plásticos, pneus, tintas, papéis e fogos de artifício. Além disso, há subprodutos usados no beneficiamento de minérios, na extração de petróleo, na fundição de peças de metal e em explosivos, baterias elétricas e cabeças de fósforo.

8-Cascas são dispensáveis
O milho é tão rico em nutrientes que já foi chamado de fonte da juventude, graças às suas propriedades antioxidantes e aos teores de vitaminas e sais minerais importantes para o organismo. Algumas pesquisas afirmam que o consumo de milho ajuda a prevenir doenças cardiovasculares e câncer, melhora a pele e fortalece dentes e ossos, reduz o estresse e retarda o envelhecimento. Mas todos esses benefícios estão contidos no interior do grão, porque a casca é eliminada praticamente intacta, por ser de difícil digestão.

9-Cabelo ou barba, para garantir a reprodução
Cabelo ou barba, é o “órgão sexual” do milho. O lado masculino é representado pelo pendão, a parte superior da planta que contém as flores com pólen. Já o lado feminino, representado pela espiga, tem como um dos sinais mais aparentes justamente os cabelinhos. Quando eles aparecem, cerca de dois meses depois do plantio, o milho já está pronto para se reproduzir. Nessa hora, as flores liberam uma grande quantidade de pólen – o total pode chegar a 20 milhões de grãos por planta! Com a ação do vento, o pólen acaba sendo carregado e cai nos cabelos do milho. Em seguida, cada um dos grãos de pólen caminha por um fio e fertiliza um óvulo, gerando espigas com até 800 grãos. No final do processo, a planta passa por uma espécie de “calvície” vegetal. “Depois da reprodução, os fios secam e caem facilmente do sabugo.

10-Na mesa do bar
Quem olha com atenção o rótulo da maioria das cervejas brasileiras encontra entre os ingredientes da fórmula “cereais não maltados”, que em geral é simplesmente milho. Desde que a sua cerveja preferida não seja do tipo “puro malte”, é quase certo que você esteja consumindo milho a cada vez que encontra os amigos no bar. O milho também é um componente importante na fabricação do uísque feito nos Estados Unidos, o whiskey. O tipo bourbon, por exemplo, por lei, é aquele produzido a partir de uma mistura de grãos de pelo menos 51% de milho, “mas não mais de 79%”.

11- Em verso e prosa
A goiana Cora Colarina, uma das poetisas mais admiradas  do Brasil, era fã do milho, e não apenas na mesa. Ela via o cereal como uma inspiração, uma metáfora e o melhor exemplo de alimento simples, rústico, “do povo”, que nasce em qualquer lugar e serve para tanta coisa. “Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres”, escreveu. Ela gostava tanto que dedicou ao grão pelo menos dois trabalhos: o Poema do milho e a Oração do milho.

12- Fonte de fibras e energia
O milho é fonte de fibras e celulose (presentes na casca), carboidratos, proteínas, gorduras, amido, vitaminas A, do complexo B e E, aminoácidos e sais minerais como ferro, fósforo, potássio, cálcio e zinco. Cada 100 gramas do alimento contêm cerca de 360 calorias, razão pela qual ele é capaz de suprir boa parte das necessidades energéticas e nutricionais de um indivíduo adulto.

Fonte: boaspraticasagronomicas

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