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Última atualização: 19/7/2018 - Atualizado em 02/10/2013h46

ICOMEX : Valor das exportações cresceu 5,7% e o das importações 7%

A balança comercial registrou superávit de US$ 5,8 bilhões em junho levando a ...

De AF News Análises

A balança comercial registrou superávit de US$ 5,8 bilhões em junho levando a um saldo de US$ 30 bilhões no primeiro semestre de 2018, inferior em US$ 6 bilhões ao de igual período em 2017. O valor das exportações cresceu 5,7% e o das importações, 17% na comparação entre os meses de junho de 2017 e 2018. Os dados foram apresentados hoje pela FGV/Ibre.

O menor crescimento em valor das exportações é puxado pela queda no seu volume (-6,2%), pois os preços aumentaram em 9%. No caso das importações, o volume cresceu 4,1% e os preços em 9,2% entre os meses de junho de 2017 e 2018. Entretanto, o crescimento das exportações desacelera no início de 2018 em relação ao final de 2017. A queda em maio pode ser atribuída à greve dos caminhoneiros, mas em junho seria esperada uma recuperação. Nas importações, as variações são maiores em 2018 do que em 2017. Na comparação entre os dois primeiros semestres de 2017 e 2018, o volume exportado aumentou 1,1% e o importado 7,2%.
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Os resultados mostram que o efeito da desvalorização cambial ainda não se fez sentir nos fluxos comerciais, em especial nas importações. O índice da taxa de câmbio real efetivo calculado pelo IBRE mostra uma desvalorização de 11% entre janeiro e junho o que levaria a um efeito negativo nas importações. O efeito câmbio não é imediato e outros fatores influenciam nos fluxos de comércio. No caso das importações o nível da atividade doméstica é o principal e até maio ainda se esperava crescimento do PIB na ordem de 2,5/2,8%. A reversão das projeções para valores próximos a 1%, a partir do final do semestre sugere que, além do efeito defasado do câmbio, as importações deverão ter uma maior desaceleração.

No caso das exportações, o efeito câmbio foi positivo para o crescimento das não commodities, 9,7% na comparação dos dois primeiros semestres e 7,9% entre junho de 2017 e 2018. As commodities que explicam cerca de 60% das exportações brasileiras cresceram 2,9% (jan-jun 2017/2018) e recuaram 1,7% na comparação mensal. Esse último resultado foi influenciado pela queda no volume (-11%) puxado pelo agregado das carnes (-42%) e petróleo (-49%). O complexo da soja registrou variação positiva (11.6%) com o término da greve nos transportes.

A evolução dos preços levou a um aumento nos termos de troca em 2,4% entre maio de junho de 2018, porém em relação ao início do ano, os termos de troca recuaram 2%. Ressalta-se, que após uma recuperação nos preços das exportações no segundo semestre de 2017, os termos de troca tenderam a declinar. No entanto, ainda estamos com valores superiores ao do período de 2013/15.

Nas exportações todas as categorias registraram queda exceto bens de capital. Nesse último grupo estão incluídos produtos com tonelagem elevada como as plataformas de petróleo (em valor mais de 6000% na comparação semestral), aviões (aumento de 43% em junho), turbinas para aviões (3.300% em junho), entre outro.

As importações, todos os volumes aumentam. Chama atenção, o crescimento dos bens de capital (31,3% no semestre). Uma parte é explicada pela importação de plataforma de petróleo, em especial no mês de fevereiro, mas nos outros meses reflete investimentos em máquinas e equipamentos. Esse resultado contrasta com as importações de bens intermediários que recuam e se associam ao nível de atividade.

Por último, a China continua liderando o destino das exportações brasileiras e cresceu sua participação para 26% no primeiro semestre de 2018, ultrapassando a parcela dos 28 países da União Europeia. Dada a pauta de compras da China, a soja em grão explicou 16% do total exportado pelo Brasil para o mundo no primeiro semestre de 2018 e se somarmos o minério de ferro e o petróleo, o percentual é de 33%. A concentração da pauta de exportações em poucas commodities e com a China tem se acentuado nos últimos anos. Uma questão a ser discutida numa nova agenda da política de comércio exterior.


Fonte: Último Instante
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