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Última atualização: 11/5/2016 - Atualizado em 02/10/2013h46

BRF pode estar no plano de expansão da Tyson

A Tyson Foods, maior empresa de carnes dos EUA, anunciou ontem que pretende voltar a investir no exterior....

De AF News Análises

A Tyson Foods, maior empresa de carnes dos EUA, anunciou ontem que pretende voltar a investir no exterior. Nesse contexto, há cerca de um mês executivos da companhia visitaram fábricas da BRF no Brasil. Procurada, a BRF não respondeu.

Em teleconferência com analistas na manhã de ontem, o CEO da Tyson Foods, Donnie Smith, afirmou que o caminho para a companhia voltar a crescer no exterior pode se dar por meio de acordos ou parcerias, possivelmente nos segmentos de frango processado e de alimentos industrializados - nos quais a BRF atua, com as marcas Sadia e Perdigão. "Noventa e seis por cento da população [mundial] está fora dos EUA, e o consumo de alimentos vai crescer em todo o mundo", argumentou.

Ainda que a visita dos executivos da Tyson às unidades da companhia brasileira não signifique uma oferta efetivamente, uma fonte próxima à BRF disse que o interesse da Tyson na empresa é a justificativa para a alteração da cláusula de proteção à dispersão acionária (a chamada 'poison pill'), aprovada em assembleia em 7 de abril. Na prática, a alteração ampliou a fatia de ações que investidores podem ter na BRF sem a necessidade de fazer uma oferta de compra para todos os acionistas da companhia brasileira. Antes dessa decisão, a 'poison pill' era de 20%. Agora, é de 33,33%.

Um eventual investimento da Tyson na BRF marcaria o retorno da americana ao Brasil. Em outubro de 2014, a companhia vendeu suas operações no país para a brasileira JBS, por US$ 175 milhões. Ao mesmo tempo, deixou o México, vendendo as operações no país para a Pilgrim's Pride, empresa americana de frango controlada pela JBS.

A saída do Brasil fazia parte da estratégia da Tyson para angariar recursos para digerir a mega-aquisição da americana Hillshire Brands, empresa de alimentos processados que foi alvo de uma acirrada disputa entre Tyson e a JBS (por meio da Pilgrim's Pride). A Tyson pagou US$ 8,6 bilhões para levar a Hillshire Brands.

De lá para cá, a Tyson obteve ganhos de sinergias da aquisição e já conseguiu uma relevante redução do índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado), de 3 vezes no exercício fiscal de 2014 para 1,8 vez nos doze meses encerrados no segundo trimestre do ano fiscal de 2016. "Eles estão bem adiantados com o que tinham se comprometido na aquisição da Hillshire", afirmou outra fonte.

É ancorada nos bons resultados - a empresa divulgou ontem o balanço do segundo trimestre, com lucro operacional recorde - que a Tyson mira o exterior. Para analistas, a companhia está bem posicionada para obter crédito. Conforme a Dow Jones Newswires, analistas do banco BB&T Capital Markets estimaram em março que a Tyson poderia obter US$ 4 bilhões (R$ 14,2 bilhões) para financiar aquisições. Ontem, as ações da BRF fecharam a R$ 45,92, o que dá à empresa brasileira um valor de mercado de R$ 37,3 bilhões. As ações da Tyson, que faturou US$ 41 bilhões no ano-fiscal 2015, subiram 1,47% ontem na bolsa de Nova York.

Do ponto de vista estratégico, uma eventual parceria entre Tyson e BRF seria interessante para as duas empresas, ampliando o poder de fogo de ambas na concorrência com a JBS, líder global na produção de carnes, observou uma fonte. "Afinal, a JBS já tem um pé lá nos EUA", afirma um analista. Para a BRF, que teve uma receita líquida de R$ 32,1 bilhões em 2015, o investimento também representaria uma forma de entrar nos EUA.

Com a flexibilização da 'poison pill' da BRF, a Tyson poderia adquirir uma fatia relevante da empresa e ser a "controladora de fato", indicando membros para o conselho de administração, mas sem alterar a gestão profundamente - ao menos em um primeiro momento. Para um especialista do setor, a Tyson assim evitaria o erro de sua passagem anterior no país, quando adquiriu pequenas empresas regionais de carne de frango, sem marcas fortes. Na BRF, a Tyson contaria com as duas marcas líderes no Brasil.

O desempenho insatisfatório da Tyson em sua primeira passagem pelo Brasil, entre 2008 e 2014, também pode ser explicado pelo contexto da economia americana. Quando aportou no país, a Tyson vivia um cenário adverso nos EUA. Foi também nesse momento que a JBS avançou no mercado americano. Afora isso, as diversas tentativas da Tyson de expandir a atuação no Brasil esbarraram no poder de fogo dos concorrentes brasileiros, fortalecidos pelo apoio do BNDES.
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