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Última atualização: 27/4/2017 - Atualizado em 02/10/2013h46

O resumo das nossas impressões sobre a visita à nova unidade do Moinho Globo

As impressões de nossa visita à nova unidade do Moinho Globo

De AF News Análises

Por Gabriel Ferreira

Como dissemos em nosso texto do mercado de farinhas de ontem, viajamos a convite do Moinho Globo - Sertanopolis-PR para a acompanhar ontem (26) a apresentação á imprensa da nova planta de moagem da empresa, um empreendimento iniciado em 2013 e que impressiona pelo porte e pelo detalhamento na sua execução. Quanto aos números de área, a íntegra dos dados de capacidade de produção (que também impressionam) o release que publicamos relatam em detalhes (clique neste link), trazemos neste artigo as impressões e reflexões a partir de tudo aquilo que observamos e conversamos no local.

A palavra que resume a experiência na nova planta do Moinho Globo para mim e para os demais colegas da imprensa foi “impressionante”. Mas esta impressão não vem pelo tamanho do investimento, o tamanho físico da estrutura, que é algo que obviamente salta aos olhos, ou ainda pelo convite que recebemos. O que torna impressionante a nova planta do Moinho Globo é a riqueza de detalhes e o detalhamento do planejamento, que podemos conferir na obra pronta, a cada explicação do gerente industrial da empresa, o sr Cláudio Gonçalves .

Destacando apenas alguns poucos pontos, podemos destacar o controle total do recebimento do trigo, que passa pela originação junto aos produtores (relação de muitos anos), com estrutura para recebimento direto do trigo junto ao produtor (garante a extrema integridade da qualidade da matéria prima, pela confiança no processo de secagem limpeza, variações de umidade, etc) automatização do controle de recebimento de matéria prima da pesagem até a emissão da nota fiscal (reduz tempo e otimiza resultados da operação, reduzindo as filas), do cuidado com estrutura para os caminhoneiros (eles são humanos, precisam voltar e se bem tratados ficam menos hostis a eventuais demoras, com benesses como chuveiros e espaço de TV podendo garantir o retorno e o planejamento do caminhoneiro de sempre passar por lá) , o maquinário com controle totalmente informatizado, algo que diminui o número de inspeções e os períodos de reparo (painel mostra onde é o defeito, não precisa procurar),  o número e a disposição de docas no setor de expedição, com espaço adequado para manobras de empilhadeiras e pessoal. Algo interessante é a rastreabilidade dos produtos, com informações como data de operação, quem estava na equipe, qual turno foi produzido, etc garantindo a rápida identificação e correção de problemas.

Em uma operação com margens tão reduzidas como a moagem de trigo, a comercialização do farelo ganhou importância nos últimos anos. Para tanto, na nova planta do Moinho Globo foi criada uma estrutura com capacidade de armazenagem de 8 silos, com possibilidade de revolvimento e aeração para 300 toneladas. Além de uma estrutura (separada da parte de farinha) que traz possibilidade de ensacamento e armazenagem ainda superior e por mais tempo, algo que diminui bastante a necessidade de liquidações de produto e garante um maior planejamento da comercialização, e assim, sempre que possível a obtenção de melhores preços, acrescentando nas margens.  

Interessante a pergunta que foi feita, sobre o porquê, dentro de um período de crise econômica e de subsequente retração da moagem de trigo, ser realizado este tamanho investimento. Segundo o presidente do moinho, sr. Giancarlo Venturelli, mesmo a concepção da ideia, captação de recursos e aquisição de maquinário foi iniciada em 2013, hoje em dia não seria indicado e provavelmente não seria feito tal investimento, mas ainda assim, a ideia de que o pior já passou e a ideia de ampliação futura da capacidade, já que a construção tem previsão futura de aumento da moagem.

Falando um pouco da empresa e da sua comercialização de produtos (não só farinhas) que é o foco do nosso informativo. O Moinho Globo dispõe de um mix de produtos com total de 150 itens (já seria 157 segundo um dos dirigentes que conversamos), o sonho de qualquer gerente comercial, pela penetração que esta variedade de opções ao cliente pode proporcionar. Além disso, ou talvez por essa variedade de  itens, uma forte vocação ao varejo, com 60% do total negociado por este canal de comercialização atualmente, com os 40% restantes sendo considerados transformadores, e muitos destes também de pequeno porte (massas frescas, massas de pizza, massa de pastel, pré-misturas para produtos de panificação e confeitaria), fugindo assim das operações de menor margem, na indústria.

É interessante, que com toda a implantação de novas tecnologias, a agilidade e confiabilidade nas operações, os ganhos com maior eficiência energética do novo maquinário, haverá ganho em competitividade, algo que poderia melhorar as margens de ganhos nos diferentes segmentos e a penetração em outros Estados. Aliás, com atuação no Sul, Sudoeste, centro-Oeste, a ampliação de divisas não é o foco da ampliação e sim a melhora na atuação das regiões hoje já atendidas.

Mas ok, com o aumento de moagem, haverá a necessidade de aumento de participação nas grandes indústrias? Até para garantir o funcionamento da estrutura? Segundo os responsáveis que conversamos não é esta a ideia, obviamente que se mantendo a proporção atual (em %) o volume destinado às grandes indústrias aumentaria, mas a agregação de valor no caso do Moinho Globo não é falácia estratégica, a exemplo de outros moinhos de marca forte e penetração de produtos diferenciados no mercado, ele tem boa remuneração nos produtos.

Sobre a unidade mais antiga, a ideia inicial do moinho seria pelo arrendamento da estrutura, sendo que em caso da não obtenção de interessados ou de propostas para operações lucrativas, continuaria a operação simultânea das duas unidades, com foco maior nas vendas a granel ou big bags (menor movimentação e sem necessidade de empacotamento fino).

Em resumo, um moinho primoroso, com lógica naquilo que foi planejado e depois executado, e um planejamento ambicioso de crescimento e ampliação até o ano de 2020. Assim como a ideia de que em 2 anos a empresa poderia buscar a certificação ISO 22.000 exprime bem os mercados e a excelência que almejam os executores e dirigentes da empresa. Parabéns aos envolvidos e um belo exemplo à ser observado pela cadeia do trigo como um todo.
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