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Última atualização: 23/2/2018 - Atualizado em 02/10/2013h46

Evento do Sinditrigo PR discutiu os desafios da farinha paranense

Resumo e comentários do evento realizado nesta quinta-feira 22 em Curitiba-PR

De AF News Análises

Por Gabriel Ferreira, de AF News Análises e Consultoria, www.afnews.com.br

Estivemos presentes no evento organizado pelo Sinditrigo-PR em Curitiba-PR, na sede da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), para um café da manhã que reuniu os moinhos paranaenses e mais pessoas ligadas ao setor (órgão associativo dos produtores - FAEP, traders, associação das cooperativas - OCEPAR, empresas de aditivos, etc), para discutir sobre o setor e mostrar as ações da organização para o ano de 2018.

É NECESSÁRIA CONTRIBUIÇÃO PARA REUNIR, AGREGAR E DEFENDER INTERESSES

O evento iniciou-se com as palavras do presidente do Sindicato Sr. Daniel Kummel, que  previu um ano de mais ações em torno da mensuração da atividade do setor em ação conjunta da FIEP, agradecendo a presença de todos.
Passando a palavra aos representantes da FIEP, foi abordado o assunto da Contribuição Sindical, que passou a ser facultativa e não mais obrigatória, algo que poderia reduzir a atividade dos órgãos associativos em favor da indústria. Foi reforçada a necessidade da indústria estar representada e associada, para discutir os novos rumos do mercado após as reformas propostas pelo governo, principalmente a reforma trabalhista. A reforma trabalhista foi usada como exemplo já que foi permitida a negociação individual das empresas com seus trabalhadores, mas as leis trabalhistas seguem abrangentes, exigindo conhecimento e experiência em discussões deste tipo que muitas empresas não possuem, podendo a FIEP e os sindicatos atuarem auxiliando neste campo.

PÃO FRANCÊS EM UM 2017 DE QUEDA NAS VENDAS PREOCUPA A CADEIA DO TRIGO

Na sequência o presidente do SIPCEP – Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria, o senhor Vilson Borgmann, apresentou já dados consolidados da pesquisa de resultados do setor de panificação no ano de 2017. Um ano fraco na expansão do negócio, algo esperado diante da situação de retomada da economia no último ano, mas que trouxe uma realidade preocupante, a queda nas vendas do pão francês.
Os dados mostraram que o ano de 2017 marcou inflação de 2,95%, e um crescimento no faturamento do setor de padarias em 3,2% sem descontar a inflação, logo com um crescimento real de apenas 0,25%. O faturamento nacional seria de R$ 90,3 bilhões, sendo que apenas no Paraná teríamos um faturamento de R$ 6,5 bilhões. Outros dados relevantes foram os aumentos do fluxo de clientes e do tíquete médio em relação à 2016.
Porém o mais alarmante para toda a cadeia do trigo veio da redução em -3,4% na venda de pão francês, o carro chefe das padarias e um dos produtos que mais consome farinhas de trigo no Brasil e por consequência trigo no Brasil. Apesar disso, o faturamento com o pão francês cresceu 0,3%, com o aumento de preços compensando a redução nas vendas (ou causando?).
Diante desta redução de demanda do principal produto, o sr Vilson destacou a necessidade de medidas que fomentem o consumo dos produtos de panificação, algo muito semelhante ao que ouvimos no último evento da Abitrigo. Preocupa bastante a onda dos produtos sem gluten e a desinformação em torno da saudabilidade do consumo dos derivados de trigo.

ANO DE 2017 FOI DE QUEDA NA MOAGEM DE TRIGO NO PR, MAS SETOR ESTÁ OTIMISTA PARA 2018

Em um estudo realizado via pesquisa direta aos moinhos, departamento de estatística da FIEP realizou o levantamento da moagem de trigo no Estado do Paraná, um dado que deverá ser realizado anualmente pelo Sinditrigo-PR, em associação ao órgão associativos das indústrias paranaenses.
Estes dados mostraram que 44,4% dos entrevistados moeram menos de 50 mil toneladas de trigo em 2017; 11,1%  moeram entre 50 a 99,99 mil toneladas; 33,3% moeram entre 100 a 149,99 mil toneladas e 11,1% moeram 150 mil toneladas ou mais. Estes dados mostram muito mais a capacidade de produção (ou porte da empresa) dos entrevistados, do que um dado direto de produção, ainda assim, utilizando-se estes dados estimou que a moagem paranaense de trigo foi de 2,44 milhões de toneladas, indicando queda anual de 5%.
Um dado que sem dúvida não pode ser observado de forma isolada com o dado acima citado da retração nas vendas do pão francês e a situação frágil da economia no ano de 2017.
Outra pesquisa interessante mostrada pela equipe de estatística da Fiep foi a expectativa dos entrevistados na pesquisa de produção de 2017, quanto à moagem em 2018. Na pesquisa, verifica-se que 55,6% dos entrevistados imaginavam produção acima de 2017 neste ano. De fato, nas conversas que tivemos com os presentes, fica a ideia de que recuperação da economia e retomada de ex clientes poderiam fomentar este aumento de moagem. Outros 33,3% projetam 2018 com moagem igual e 11,1% estimam redução na moagem.
Mas em quanto esta moagem vai aumentar? O sentimento dos entrevistados é meio de tudo ou nada. Olhando só aqueles 55,6% dos entrevistados que esperam que a moagem vai aumentar, 50% destes acham que a moagem vai crescer em até 5% no ano (que é um grande crescimento) e a outra metade (50%) projeta aumento acima de 20%.

PROJEÇÕES DE OFERTA, DISPONIBILIDADE E DE PREÇOS PARA O TRIGO DO PARANÁ

Na sequência do evento realizado hoje pelo Sinditrigo-PR tivemos a apresentação do Sr. Edson Csipai da Bunge Alimentos sobre os desafios do trigo na safra 2017/18, destacando uma visão bastante altista, a partir de dados de disponibilidade de trigo nos estados produtores e da grande negociação de trigo argentino para outros países que não o Brasil.

Contextualizando a safra mundial de trigo em 2017/18, o mesmo destacou os recordes de produção e de estoques, e isso em partes explica a condição até quase o final do ano safra, sem grandes sobressaltos nos preços (até este mês pelo menos). Saindo do mundo e focando no Mercosul (3% da produção mundial), sr. Csipai destacou o descompasso em relação ao restante das regiões produtoras, com queda anual de 23% na colheita da região.
Isso afeta a oferta brasileira, já que o trigo paraguaio está fora de mercado, assim como o Uruguai, ambos com baixas produções. Isso sem falar na colheita brasileira, estimada pela Bunge em 4,0 milhões de toneladas, contra 4,3 milhões de toneladas pela Conab.
Desenhando um traçado de futuro, o executivo prevê uma forte arrancada nos preços, baseando-se na baixa disponibilidade de excedente de trigo no mercado interno. 
Segundo o mesmo, no Paraná teríamos apenas 350 mil toneladas de trigo 2017/18 ainda por serem negociadas, e no Rio Grande do Sul 300 mil toneladas. Em conversas com alguns dos presentes discutiu-se esta estimativa como pessimista. Mas de qualquer forma os números não fogem muito disso, já que órgão associativo das cooperativas projetam que haja 20% da oferta paranaense ainda por ser vendida, algo que resultaria em pouco mais de 440 mil toneladas.
Independente de 350 ou 440 mil toneladas de trigo a ser negociado no Paraná, o que pesa é o fato destacado pelo Sr. Csipai de que não há trigo suficiente para passar a safra até a próxima colheita. 
Falando em preços, mas porque com tão pouco trigo a ser negociado, os preços ainda não dispararam? Sr Csipai mostrando paridade dos Campos Gerais e da Região de Curitiba destacou a paridade do trigo argentino como contentor dos preços. De fato, nestas regiões esta seria a justificativa, porém mais para o interior (com maiores fretes dos portos para os moinhos) talvez pese também a necessidade de abertura de espaço físico para a safra de verão, sendo que o trigo acomodado de março em diante, podendo ter outra política de preços (mais agressiva e mais altista). Em um curto espaço de tempo, preços internos poderiam se consolidar nos R$ 700-720/ton FOB, pedidas hoje mais consideradas como bids e não negócios na maior parte das regiões.


ARGENTINA NÃO TEM MAIS TODO O TRIGO QUE O BRASIL NECESSITA?

Ainda segundo as falas do sr Edson Csipai, Executivo de suprimento de trigo da Bunge Alimentos, o mercado argentino ainda está bem abaixo do potencial de preços que poderia estar. Com o Brasil ainda se beneficiando da necessidade argentina de vender em outros mercados, mas não como deveria.
Falando em números, projeção de colheita em 17,5 milhões de toneladas, gerando excedente de 10,5 milhões de toneladas para exportação. Destas 7,3 milhões de toneladas vendidas e 5,1 milhões de toneladas para outros destinos.
Logo, com 3,2 milhões ainda por serem negociadas, as compras brasileiras de trigo argentino não poderiam exceder 5,4 milhões de toneladas, de uma necessidade estimada em 6,5 milhões de toneladas. Necessitaria-se comprar trigos mais caros de outras origens, algo bastante altista aos preços argentinos e principalmente brasileiros.
Mas quais seriam as opções, o palestrante mostrou o trigo americano como opção hoje US$ 54/ton acima do preço de trigo argentino, e ainda o trigo russo, que está em fase de flexibilização para atender o mercado do Nordeste.
Perguntei ao senhor Csipai e a um dos traders presentes sobre a real qualidade do trigo russo, que muitos dizem ser um trigo muito parecido com o trigo francês, nada parecido com nossa demanda por panificação. Mas estes nos garantiram ser um trigo apenas pouco inferior ao trigo argentino (w abaixo principalmente), entrando como um redutor de custo “de luxo”.
Voltando ao resumo da apresentação, o palestrante esperava um aumento de pelo menos US$ 30/ton nos preços FOB argentinos bem rapidamente, precificando esta potencial maior demanda do que a sua disponibilidade.
Mas ai entramos em algo que vimos ano passado, com a estimativa de colheita e principalmente de estoques na Argentina não ser nada confiável. Mostrando a própria projeção do sr Csipai, que falava em consenso de traders em 17,5 milhões de toneladas de colheita argentina, contra 18,5 milhões de toneladas de projeção do governo, que estava certo no ano passado, ao contrário das bolsas de cereais locais. Algo que mudaria o timing destes aumentos e poderia explicar o porquê de ainda não terem aumentado os preços.
Além do contexto de oferta e demanda argentino de trigo, foi abordada a questão da condição de seca no trigo americano, e o fato de que a safra 2018/19 (a partir de maio no hemisfério Norte) não seria tanto excedente quanto em anos anteriores. Números a serem observados sem dúvida e que também seriam altistas aos preços externos, argentinos e por consequência brasileiros. 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos aos amigos, assinantes e demais presentes. Parabenizamos a iniciativa do Sinditrigo. Este se mostrou um excelente evento para a troca de ideias, discussão do negócio farinha de trigo, melhora do networking e até realização de negócios. O potencial comercial dele poderia ser explorado em uma próxima oportunidade (vendas de espaços em banners, venda de espaços em palestras, etc.


Sobre a AF News Análises e Consultoria

Contatos: 41-3268 7000; 41-991266187

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De Curitiba-PR, 10 anos de experiência no mercado de trigo e seus derivados, grande abrangência no setor de derivados de trigo, referência de preços em farelo de trigo e comportamento de mercado dos derivados. Assinantes em todo o Brasil e MERCOSUL
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