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Última atualização: 27/6/2017 - Atualizado em 02/10/2013h46

Estudo do Setor de Moagem de Trigo no Estado do Paraná

Evento de lançamento do Panorama do Setor Industrial de Trigo no Estado do Paraná

De AF News Análises

EVENTO SINDITRIGO – 26/03/2017

 

Estivemos presentes ontem na Fiep em Curitiba-PR (Federação das Indústrias do Estado do Paranà) para acompanhar o lançamento do Panorama Setorial da Industria do Trigo, documento já realizado pela segunda edição e que serve de diagnóstico da situação da industrialização de trigo no Estado.

 

APRESENTAÇÕES E FALAS DOS DIRIGENTES

 

O evento iniciou-se com a fala do superintendente da Fiep Reinaldo Tockus, que destacou que o documento da Cadeia do Trigo ainda na sua primeira edição serviu de modelo para Estudo de muitas outras cadeias, e parabenizou o setor pelos resultados apresentados.


Em seguida o presidente do Sinditrigo PR, Daniel Kummel, tomou a palavra e destacou as virtudes dos moinhos paranaense, os quais destacamos como principais:

- Farinhas para todos os canais de comercialização, varejo (padarias e pequenos transformadores), indústria e setor supermercadista.  

            - Venda de farinhas para todo o país, vendas externas equivalentes a 50% do total;

            - Moinhos próximos ao campo

            - 20% da moagem associada a cooperativas (verticalização).

 

Quanto às ações recentes e futuras do sindicato, o presidente destacou a fundação de uma Regional no Oeste do Estado, e outras duas frentes principais, 1) a questão tributária, buscando equilíbrio em relação às movimentações internas e as vendas interestaduais e ainda 2) a questão ambiental, diante das exigências da legislação quanto à logística reversa, neste caso em parceria com outros sindicatos (Massas, Café, Carnes, Aves), que em conjunto deverão fundar o Instituto Paranaense de Reciclagem.


Foi destacada também a maior qualidade do trigo colhido no Estado, algo que atende quase que plenamente as necessidades dos moinhos locais, e em quantidade suficiente neste momento.


O presidente da FIEP, Edson Campagnolo também esteve presente e deu as boas vindas a todos os presentes, em sua fala, algumas informações importantes e mais uma vez parabenizando o setor de trigo no Paraná, que cresce mesmo sem um ambiente seguro para investimentos.


O mesmo ainda reforçou as ações e apoios da Fiep e CNI quanto à reforma de Teto de gastos no cenário federal (já aprovada) e deu como provável a aprovação da Reforma Trabalhista. E ainda  revelou que um representante do Paraná, Sr Luis Carlos Hauly (ex secretário da Fazenda do Estado do Paraná) está rodando o Brasil para formulação da melhor proposta de reforma tributária possível para o setor produtivo. E aproveitou a oportunidade para chamar os presentes à participar da política, assessorando na tomada de decisões importantes para o setor.


O senhor Marcelo Vosnika, presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo e ex presidente do Sinditrigo-PR destacou que o Panorama Setorial em nível nacional já está em estudo, e que caso não haja apoio da CNI, o documento poderá ser elaborado por empresa privada.


Um dos idealizadores da primeira edição do Panorama, sr. Vosnika destacou a importância de se abrir informações e que o Panorama serve para as empresas pensarem em conjunto e analisar as suas próprias ações. Com relação às questões tributárias com outros Estados, o mesmo indicou que uma solução favorável ao setor como um todo seria a facilitação da instalação de empresas consumidoras de farinhas dentro do Estado, por isso mais próximas do mercado produtor de trigo e de farinhas, diminuindo a necessidade de competição com outros Estados.


RESULTADOS DO PANORAMA SETORIAL INDUSTRIA DO TRIGO

 

PANORAMA BRASIL

 

Entre as principais informações trazidas no documento, o sr Marcelo Persigotti, Gerente de Economia, Desenvolvimento e Fomento da Fiep destacou a média mundial de consumo per capita de trigo em 96 kg/ano, enquanto no Brasil este consumo é de apenas 49,1 kg/ano, e que este consumo chegou a ser de 56 kg/ano em 2011, indicando uma retração.

Ainda no cenário nacional, o levantamento mostra que houve um aumento de 10,4% no número de moinhos de 2010 a 2014, mas que em 2015 houve uma redução de 5,4%, com um total de 402 moinhos neste ano. Falando ainda em 2015, o ano apresentou maior número de funcionários desligados (8084 funcionários) do que admitidos (7910 funcionários) reforçando o momento de retração do setor.

 

PANORAMA PARANÁ

 

No cenário estadual, o estudo mostra que o Paraná dispõe de 96 empresas de moagem, gerando 3922 empregos, aumentando em 210 empregos no ano 2015 (inverso do padrão nacional).


A estimativa de moagem de trigo no Estado em 2015 foi de 2,45 milhões de toneladas, gerando 1,84 milhão de toneladas de farinhas, isso com uma capacidade instalada estimada em 2,8 milhões de toneladas (41% de ociosidade). A evolução do número de moinhos entre 2010 e 2014 foi de 7,4% (abaixo do número nacional), com queda de 5,4% no ano de 2015 (acima da média nacional).


A concentração de empresas de moagem se destaca em Cascavel (9 unidades), Curitiba (5 unidades), Santa Terezinha do Itaipu (5 unidades) e Campo Mourão (4 unidades). Em relação a empregos gerados (2608 empregos no total), os munícipios de Arapongas, Curitiba, Sertanópolis e Ponta Grossa concentram 42% do total do Estado, curiosamente com o maior polo moageiro (Cascavel) ficando na quinta posição.


Quanto aos tipos de empresas, 61% são de sociedade limitada, 18% sociedade anônima e 16% familiar, um número que até surpreende, pois este último imaginávamos bem superior. Quanto ao tipo de moinho, temos 71% industrial e 22% cooperativa, algo que vem mudando ao longo dos anos.


Quanto à tributação, a maior parte das empresas de moagem de trigo do Paraná é de lucro real (68%), enquanto que18% são de lucro presumido e 14% são simples nacional. A média percentual de faturamento gasto com impostos seria de 15,5% (segundo informação dos entrevistados), algo que traria um gasto anual de 424,3 milhões de reais, para um faturamento estimado do setor em 2015 de 2,7 bilhões de reais (média de 60 milhões de faturamento por empresa).


Interessante ressaltar que mesmo com toda a renovação do setor, a média de idade das plantas industriais paranaense ainda é de 24,7 anos. E quanto à armazenagem, estima-se uma capacidade de 1,729 milhão de toneladas, mostrando que o problema da falta de liquidez na comercialização dos produtores com os moinhos não é só em função do espaço físico para carregar estoques, e sim a dificuldade de fluxo de caixa que isso geraria (importante para ações de governo no financiamento de compras). Ao todo 70% reportam comprar grãos diretamente dos produtores, 70% não tem frota própria.


Quanto à intenção de investimentos futuros, 18% não pretendem investir, 23% pensam melhorar a produção,

 

PANORAMA DO TRIGO NO MUNDO E NO PARANÁ

 

O senhor Walter Filho, da trader Serra Morena destacou a condição de dificuldades nas lavouras de trigo do hemisfério Norte por conta do clima, destacando a condição do trigo de primavera nos EUA e a seca na França para a safra 2017/18. Com uma safra 2016/17 enorme e com grande estoque de passagem, o mesmo previu a valorização do trigo de qualidade, já que a falta do trigo de primavera dos EUA afetaria as pedidas do trigo hard, este bastante importado pelo mercado brasileiro.


Os preços de petróleo ainda na descendente no cenário internacional poderiam reduzir os preços de fretes marítimos, e assim favorecer o envio de trigo argentino a maiores distâncias. Quanto ao nosso mercado vizinho, projeção do Sr Walter é de melhoria de qualidade na safra nova e mais uma colheita acima das 15 milhões de toneladas.


A fala seguinte foi do senhor Rogério Tranin Mello, gerente de commodities da Cooperativa Coamo, que reforçou os comentários de enorme qualidade do trigo paranaense da safra anterior, destacando que no mundo 20% vai para ração e esta pode ser uma alternativa também para quando o trigo não acompanhar esta demanda.


O mesmo ainda reiterou a condição de necessidade de segregação, algo que ajuda a melhorar bastante a qualidade final das farinhas de trigo.

 

 

OPORTUNIDADES E DESAFIOS DA INDÚSTRIA DO TRIGO NO ESTADO DO PARANÁ

 

O engenheiro agrônomo André Nassar destacou que a questão de custo alto no trigo, e baixa remuneração, abaixo das culturas concorrentes (soja e milho) índica um fator de risco ao setor. Assim como a redução de disponibilidade de crédito e aumento do custo na oferta de subvenção ao seguro agrícola, sendo que tudo isso junto traria aumento do risco da atividade de plantar trigo, o principal insumo do parque moageiro paranaense.


O mesmo palestrante destacou a capacidade de melhorar escala de produção, algo que não faz bem sentido diante de um parque ocioso na ordem de 41% (como citado acima). Na prática a melhoria nas vendas poderia ser o caminho.


Além disso, foi destacado o aumento de produtividade dos funcionários, baseando-se em dados de produção média, porém a atividade é bastante variada em relação aos anos pela disponibilidade de trigo, e isso não indica uma baixa produtividade se relacionada com a baixa produção de farinhas e o gasto com funcionários, talvez se relacionada com faturamento.

O mesmo destacou também a oportunidade de melhorar o relacionamento com produtores, como forma de mitigar risco à produção, algo que também gera custos à produção, mas que principalmente já é realizado em moinhos de cooperativas e aqueles moinhos mais encrustrados nas localidades onde operam.

 

AS NOSSAS IMPRESSÕES

 

O estudo é muito rico em detalhes, e permite entender algumas das dificuldades e das virtudes das empresas do setor no Estado. A troca de informações no setor ainda sempre foi algo limitado pelo que notamos em nosso trabalho diário já há 6 anos no setor, e o que nota-se neste momento é uma mudança de panorama na condução das empresas, com a entrada de cooperativas e a mudança do padrão puramente familiar de muitas empresas, com mesmo aquelas que são tocadas ainda por familiares dos fundadores se especializando em ferramentas de gestão.


Outro ponto claro não só na apresentação do estudo, mas também nas conversas entre os participantes, foi de que o momento ainda não é de otimismo entre os moageiros, com a pressão das negociações e a retração de margens preocupando até mesmo na programação de novos investimentos. Outro ponto é a profissionalização do setor, com excelência de processos e obtenção de certificações norteando o centro das conversas e da abertura de novos clientes. 

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