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Última atualização: 23/10/2017 - Atualizado em 02/10/2013h46

Cadeia do trigo convergindo ideias em evento realizado pela Abitrigo

Os diferentes elos da cadeia do trigo estiveram presentes no evento da Abitrigo

De AF News Análises

Estivemos hoje no evento anual da Abitrigo, o Congresso Internacional do Trigo, realizado este ano em Campinas. Os diversos elos da cadeia estiveram presentes e do resumo dos assuntos tratados no congresso será feito um documento, uma carta de intenções e compromissos. Sem dúvida os períodos de cadeia desunida estão passando, algo que pode facilitar na convergência de interesses e o desenvolvimento de políticas e estratégias conjuntas.

Das falas iniciais, podemos destacar o presidente da Abitrigo, embaixador Rubens Barbosa, que abriu o evento falando em recorde de inscritos, patrocinadores e stands, bom sinal para o setor. O dirigente listou uma série de ações já realizadas, como a elaboração da cartilha para o produtor e também a realização da 1ª Reunião da Cadeia do Trigo. Isso corrige um problema anterior de descentralização das ações da cadeia, algo que há muito batemos em nossos informes, uma falha grave e que dificultava a elaboração de políticas e estratégias eficientes para o setor.

O Sr. Marcelo Vosnika, presidente do conselho deliberativo falou sobre a abrangência do setor, hoje com 200 moinhos e 11,5 milhões de toneladas de moagem. Destacou que moinhos enfrentaram a crise com estabilidade, até de forma positiva, se mantendo em crescimento. Segundo o mesmo, apesar da queda de consumo em 2015, neste ano de 2017 deseja-se pelo menos manter o nível de produção ou crescer em relação ao ano de 2016. O tema do evento “Força dos Moinhos” significa reforçar que estes são uma base de sustentação do agronegócio, que gera empregos e ajuda a movimentar a economia mesmo nos momento de crise. O sr. Vosnika destacou ainda uma série de ações futuras para modernizar a gestão da Associação (Abitrigo).

Posteriormente, em um painel das indústrias, o presidente da Abimapi Sr Carlos Zanão (Associação das Indústrias de Massas, Biscoitos e Pães industriais) anunciou uma ampla agenda de ações e eventos promovendo o aumento de consumo de pães, massas e bolos. O Sr. José Batista de Oliveira presidente da Abip (órgão associativo da panificação artesanal), ressaltou o investimento no aumento da qualidade dos pães artesanais no país. Este apresentou a sua preocupação com a queda do consumo do pão no Brasil e no mundo, imaginando iniciativas de promoção e valorização do consumo do pão.

O Sr Antero José Pereira, presidente do sindicato de panificação de São Paulo também se mostrou preocupado com a queda no consumo de derivados de trigo, em particular do pão. Destacando que participou de um congresso de nutrição na Argentina e destacou muitos palestrantes falando em malefícios e benefícios do pão. Nosso consumo per capita é 35kg por ano apenas. Escola de preparação de panificadores.

O mediador  da mesa redonda entre os consumidores de farinhas sr. André Nassar, destacou a necessidade de melhorar a visão das indústrias de alimentos junto aos consumidores, dando exemplos do termo pejorativo “alimento industrializado”. O mesmo pediu atenção à mudança de estratégia do Bndes (mais restritiva), diminuindo o direcionamento do crédito, algo que poderia diminuir o crédito rural e para empresas, gerando impacto negativo de curto prazo a moinhos e produtores, apesar do benefício aos cofres públicos no longo prazo. O sr Nassar indicou ainda a necessidade de aumento da produtividade na indústria brasileira, falando novamente no investimento em infraestrutura, algo que não serve para a cadeia do trigo, que vem promovendo expansão de sua capacidade.  

De fato, nada melhor do que um inimigo em comum para juntar pessoas, igrejas e políticos que o digam. No caso da cadeia do trigo, o risco da queda de consumo de derivados diante da disseminação de campanhas “gluten free” serviu para estreitar os laços entre compradores e vendedores de farinhas no Brasil. Algo bastante positivo daqui em diante.

O analista de AF News Gabriel Ferreira conversou com o presidente da Abimapi, sr Carlos Zanão. Este nos indicou que há uma tentativa de disseminar o consumo de outras massas, que não só o espaguete, pois pensa que a restrição sobre o consumo per capita deste produto se dá pelo consumo repetido apenas de massas secas. A Abimapi tem buscado também difundir formas diferentes de preparo, buscando fugir do trivial, macarrão com molho de tomate.

Um dos presentes questionou algo similar, sobre a campanha Trigo é Saúde. Segundo ela, as campanhas deveriam explorar mais o prazer de comer pão, a alegria de juntar a família em torno de uma macarronada, e não apenas a saudabilidade e se o glúten faz mal ou não. Ou seja, partir da defesa do glúten para o ataque sobre a necessidade de consumir derivados de trigo. Sem dúvida uma boa alternativa.
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