Notícias Agrícolas - AF News

Última atualização: 23/10/2017 - Atualizado em 02/10/2013h46

Como será o cenário econômico daqui em diante??

Dois palestrantes falaram sobre economia e projeções para o câmbio e o agronegócio

De AF News Análises

Abaixo o resumo das palestras no Congresso Internacional de Trigo, realizado pela Abitrigo, de dois palestrantes sobre os rumos da economia e dos mercados agrícolas.

A CRISE JÁ PASSOU, CRESCIMENTO SERÁ MAIOR

Soluções são mais simples do que parecem. Com este mote, o jornalista Ricardo Amorim iniciou sua fala onde reforçou a ideia de que a crise está para trás, de agora em diante um ponto de inflexão, sendo este um excelente momento de oportunidade de negócios. Explicando esta ideia, no momento Amorim destacou que é normal ser pessimista, pela crise recente. A ideia de futuro se justifca revisando o século anterior, quando a cada US$ 4 dolar gastos no mundo, US$ 1 vinha de países emergentes, hoje o cenário é o inverso, reforçando o cenário favorável ao investimento externo no mercado brasileiro.

Porém nos últimos anos os emergentes seguiram bem, mas não o Brasil. Em crescimento de PIB no período de 2011 a 2016 (governo Dilma), só perdemos para a Venezuela, perdendo inclusive para o Haiti. Encolhendo 420 bilhões de dólares no período. O setor de trigo de fato ficou bem, pois imóveis, automóveis etc foi bem pior. E Ricardo Amorim destacou que no passado, no governo Lula, as projeções de PIB mostravam-se abaixo do que era realizado (crescimento acima do esperado), exceção 2009 (crise internacional) quando não houve marolinha e o PIB fechou abaixo do esperado, queda internacional e foi exceção. No governo Dilma queda contínua do PIB e projeções sempre acima do que se observou.

DOLAR E PROJEÇÕES


No momento dólar para baixo, e inflação despencando. A recessão foi necessária também para rebater inflação. Problema nas contas externas, saindo de superavit para déficit de produtos industrializados. Dólar alto ajudou a exportar. Um desequilibrio que falta corrigir para manter a boa reputação da economia brasileira e manter o câmbio controlada seria o controle do déficit das contas públicas, segundo Amorim a reforma da previdencia vai sair!

No futuro, crescimentos de economia esperados. Antes, o palestrante mostrou uma correlação da importância do combate à corrupção, já que o PIB nacional cresceria 1% a.a. se mantivéssemos a corrupção no nível mais baixo da OCDE (México), não precisando sequer acabá-la de vez. Falando em política Amorim não crê na queda do presidente Temer, e se não muda o governo, a economia seguirá como está, crescendo.

A confiança melhora o cenário da economia, por desengavetar investimentos. A confiança da indústria caiu ao menor nível no governo Dilma. Mudando com a abertura do processo de impeachment (dez/15). Confiança externa também melhorou, o primeiro semestre com mais investimentos produtivos do exterior da história.   

No curto prazo, a expansão do crédito diante da baixa inflação, vai gerar crescimento. Crise econômica sempre traz mudança política. E todo momento muito ruim (queda do PIB) gera a um aumento acima da expectativa. Exemplos era Vargas, Golpe Militar, abertura política e Collor.
Segundo Ricardo Amorim, vem algo bom e ninguém acredita, este é o momento de fazer negócio. Depois disso, as ondas passam, por tomadas de decisão no momento errado, geralmente tarde demais.
A questão de margem foi abordada, algo bastante relacionado ao mercado de farinhas de trigo. O consumo de alimentos vai crescer por conta do retorno da renda. O mesmo mostrou a área que pode se tornar agricultável no Brasil equivale a 40% da área de expansão possível no mundo. Até anos 2000 nada, até entrada na OMC da China. A Índia pode ser o novo país a demandar mais alimentos, diante de crescimento de PIB e baixo desemprego.
Para finalizar, o palestrante destacou “Crise empurra para mudança”. Consideramos bastante otimista o cenário desenhado pelo palestrante, mas conversando com os presentes, notamos grande torcida para que ele se concretize.


FELIPE SERIGATTI: Calma, as justificativas vem de fora para dentro e o cenário interno não é tão bom

O palestrante e pesquisador da FGV Fellipe Serigatti destacou que a economia mundial cresceu +3,5% no período entre 2011 a 2016, e que o Brasil destoou dos demais com apenas +2,1% de cresciemento. O mesmo indicou que há inflação crescente nos países desenvolvidos, indicando aumento de demanda. Taxas de juros baixas no mundo encorajam investimento, e no Brasil com quedas mas ainda em 8,25% se tornou atrativo (menor apenas do que a Rússia com 8,50%, mesmo com inflação em alta). A Taxa de juros real ainda assim é elevada, mesmo descontando-se a inflação.
O palestrante destacou que o Vix index (ou fear index), que mede a volatilidade e a propensão ao risco na bolsa de Nova Iorque se mostra baixo, mostrando que investidores estão enfrentando os riscos de investir em países emergentes pelas taxas de juros elevadas, algo que favorece o Brasil. Falando na economia por aqui, o Risco Brasil em piso histórico (baixo), diante da ausência de melhores investimentos, muito por conta também da maioria das commodities agrícolas em queda (por super safra), divergindo do palestrante anterior, que falava na estabilidade do governo e confiança nas reformas. Nas projeções de câmbio, percepção de risco responde imediatamente no dólar, e o Brasil não está isento de risco, diante da agenda de votações e o governo se tornando mais frágil.
Em 2017, as atividade agropecuárias salvaram o PIB com aumento de 11,5%, contra redução da indústria de -0,4% e manutenção dos serviços (0,0%). Ainda assim, aumento do PIB total (que soma agro, seviços e indústrias) em apenas 0,7%. Isso mostra que o Agro não puxa o PIB sozinho. Com o detalhe que o crescimento ocorre em função do baixo desempenho em 2016 (quebras de safra, etc).
Projeção para 2018 não permite imaginar grande crescimento, em função da comparação com 2017, com exceção ao algodão. Projeção do trigo com queda de produção e queda na remuneração. Preços com projeção de estabilidade.

Para concluir, Fellipe Serigatti indicou que a agenda de reformas pode interferir no câmbio e também nos preços de commodities, algo importante para um mercado importador como a cadeia do trigo brasileira. Em síntese o panorama do economista é o seguinte:

-Preços de commodities:

Câmbio volátil

Preços internacionais estáveis

-Quantidades de commodities:

fora da porteira economia recuperando

Dentro da porteira quantidade menor (queda nas produções)
ecológica.
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