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Última atualização: 24/5/2016 - Atualizado em 02/10/2013h46

Incerteza sobre financiamento vai desacelerar expansão da soja 2016/17

Área plantada com soja na próxima temporada vai crescer apenas 2% e atingir 33,8 milhões de hectares, prevê Expedição Safra

De AF News Análises

O momento político e econômico do Brasil vai influenciar diretamente o planejamento dos produtores rurais para a safra 2016/17. Com a incerteza que paira a economia e a oferta de crédito, a expectativa é de desaceleração no crescimento da área plantada de soja, cujo aumento ficará em 2,1% no próximo ciclo e chegará a 33,8 milhões de hectares, pouco acima dos 33,1 milhões semeados na safra 2015/16. A previsão é da 10ª Expedição Safra e da consultoria INTL FCStone, que acabam de encerrar a 10ª temporada do levantamento técnico jornalístico.

Conforme a coordenadora de inteligência de mercado, Natália Orlovicin, a insegurança dos produtores se deve principalmente em relação à disponibilidade de crédito. “A questão mais importante desse ano é o financiamento que com certeza vai influenciar o tamanho da safra para a próxima temporada, assim como já influenciou no ciclo 2015/16”, compara. “Estamos em uma crise econômica e política, o que preocupa os produtores. As limitações de crédito e o aumento na taxa de juros diminuíram o poder de compra e impõe mudanças na aquisição de insumos. Consideramos este o ponto mais importante e decisivo para a safra 2016/17”, analisa Orlovicin.

O professor e técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanelo, diz que apesar dos preços recordes de soja e milho, o crescimento de área deve acontecer de forma menos expressiva. “As cotações da soja e do cereal vão registrar um leve declínio a partir do segundo semestre, mas ainda seguem muito acima da média. Mesmo com preços tão altos, os produtores estarão mais cautelosos. As incertezas no cenário político e econômico vão ditar as regras”, ressalta Stefanelo.

Com base na região de Sorriso, médio-norte de Mato Grosso, a consultoria estima um custo de produção de R$ 56 a saca e o preço de venda projetado de R$ 63, garantindo uma margem de R$ 7/saca.
Custos altos

No entanto, apesar das cotações em patamares históricos, os custos de produção também registraram altas consideráveis, com destaque para os fertilizantes.

Considerando o aumento estimado de 20% para o crédito deste ano, com valores acima de R$ 25 bilhões, os produtores poderiam investir até 8% a mais na aquisição de fertilizantes em comparação às aquisições de 2014.

“Com o aumento dos preços dos fertilizantes em 2015 as compras diminuíram consideravelmente. Em 2016, apesar da manutenção dos preços em patamares bastante altos, é possível que haja aumento nas aquisições em função de crédito mais amplo. Apesar disso, as taxas mais altas podem continuar inibindo produtores”, pondera a analista.

Clima quebra 2015/16, mas década é de ouro

O gerente do Núcleo de Agronegócio Gazeta do Povo, Giovani Ferreira enfatizou que por trás do recorde de produção da última safra (208 milhões de toneladas), o excesso de chuva no Sul, seguido da estiagem em abril, e da seca intensa no Centro-Norte, frustraram a expectativa inicial. A declaração ocorreu durante o encerramento na última quarta-feira da 10º edição da Expedição Safra.

A expedição aponta que o potencial produtivo da safra de soja deve reduzir de 100,3 milhões de toneladas para 98,4 milhões, ainda na expectativa da finalização da colheita nas regiões Norte e Nordeste. O milho total (verão e safrinha) , especialmente devido à quebra do milho de segunda safra, e da estimativa inicial de 84,7 milhões de toneladas devem sair dos campos 81 milhões. O trigo também deve ter um recuo de 7,1 milhões para 6,5 milhões de toneladas .

“Com as perdas nas safras de soja e milho, somadas a do trigo e das outras culturas, o potencial da safra brasileira de grãos 2015/16 caiu das 215 milhões de toneladas para 208 milhões”, diz Ferreira.

No entanto, apesar da frustração diante da quebra da safra de grãos, os resultados conquistados ainda são bastante positivos. “Os últimos 10 anos foram a década de ouro para o agronegócio brasileiro”, concluiu.

Fonte: Gazeta do Povo
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