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Última atualização: 22/6/2016 - Atualizado em 02/10/2013h46

Financiamento da safra agrícola deve mudar por falta de recurso público

O consenso entre representantes do segmento agropecuário é de que o dinheiro para expansão do crédito rural pelo Plano Safra acabou, dada a crescente demanda financeira para manutenção dos níveis de avanço produtivo do País e a necessidade de ajustes orçamentários no governo federal

De AF News Análises

A princípio, a saída é apostar em discussões que, no médio e longo prazo, culminem em uma mudança no sistema de financiamento público, com subsídios maiores em seguro e garantia de renda, e menores sobre taxas de juros, paralelos a um aumento na participação dos bancos privados enquanto agentes de fomento. O palco deste debate foi o Seminário Perspectivas para o Agribusiness em 2016 e 2017, realizado ontem na capital paulista pela BM&FBovespa.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Geller, declarou que a pasta articula a recomposição de recursos para linhas de crédito que possibilitem o investimento em máquinas, armazenagem, seguro e inovação. O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) passaria de R$ 5 bilhões para R$ 7,5 bilhões. O Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro) deve sair de R$ 1,4 bilhão para R$ 3 bilhões e o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que hoje conta com R$ 1,4 bilhão, chegaria a R$ 3 bilhões.

No entanto, todas as operações citadas seriam fruto de remanejamentos entre as linhas, dentro de um orçamento já aprovado pela gestão anterior da pasta, na liderança da ex-ministra Kátia Abreu, visto a impossibilidade de novos aportes ao ministério.

Temos que pensar em um processo de desregulamentação, de forma que o sistema financeiro seja mais ativo. O subsídio de taxas de juros deverá ser menos importante, com inflação menor e juro real compatível , disse o presidente executivo do Santander Brasil, Sérgio Rial. Pensar em subsídios através de garantia desafra e de preço. Falo como o presidente de um banco importante no País com interesse no setor , contou a jornalistas.

São escolhas que a gente vai ter que começar a fazer. É um momento do governo federal para repensar as políticas agrícolas adotadas, com o pouco dinheiro que tem , acrescentou o sócio-diretor da consultoria Agroconsult, André Pessôa.

Para Rial, as instituições financeiras precisam se preparar para um ambiente deflacionário, uma tendência global entre as economias no médio e longo prazo. Os bancos infelizmente não apostam muito valor no dia a dia. A cadeia de financiamento é dada pelos fornecedores e por companhias que conseguem transacionar o produto, quando os bancos privados poderiam ter um papel mais forte neste cenário , ressaltou.

Ao DCI, o sócio consultor da Agroconsult, Douglas Nakazone, confirmou que existe um espaço gigantesco para atuação dos bancos privados, que hoje trabalham de maneira compulsória.

Estratégia
Para expandir sua capilarização no agronegócio, o Santander lançou uma ofensiva de medidas atrativas para o setor, a presença em praticamente todas as feiras agropecuárias com montantes de recursos pré-aprovados para custeio e investimento. O tempo de transação das operações de liberação de crédito foi reduzido em torno de 40%.

Nos falta aderência no Centro-Oeste e algumas posições no oeste da Bahia e no sul do Maranhão. O que você pensa como agência não vai existir. Você teria espaços agro com pessoas muito mais técnicas , comentou Rial. A ideia é concretizar as mudanças nos próximos 10 anos, inovar e, em consequência, trazer a concorrência . Para o presidente, é saudável o fomento de concorrência entre as instituições privadas nesta direção.

Isso porque, ao menos para o Santander, o mercado brasileiro é mais promissor que a própria sede do banco, a Espanha, tal como o México, que já trabalha com percentuais inflacionários na casa de 2%, em linha com as previsões de Rial para o futuro do Brasil.

Vale destacar que as cadeias do agronegócio são cíclicas que, de acordo com o presidente executivo, não necessariamente os bancos gostam ou conhecem estas dinâmicas. Os bancos vão ter que se especializar , enfatizou.

Dentre as ferramentas, o mercado futuro desponta nos debates como mais uma estratégia aliada do mercado. Em algum momento, é importante que a BM&F e os próprios bancos tracemos um plano de gestão de risco, porque a liquidez é fundamental , disse Rial, como uma maneira de dar ao produtor uma alternativa para travamento de preços.

No campo
Diante das projeções de redução na oferta de grãos para esta safra e dos preços praticados atualmente, favoráveis ao produtor, o secretário de Política Agrícola, Neri Geller, estima um avanço de dois milhões de hectares na área de plantio para o ciclo 2016/2017.

Claro que o aumento dos preços estimula o produtor. Teremos a primeira safra de soja, depois o milho, na safrinha, e, no Mato Grosso, ainda teremos uma terceirasafra, de feijão , afirmou a jornalistas.
Fonte:DCI
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