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SÍNTESE DO PRIMEIRO DIA NO XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL DO TRIGO

Comportamento do consumidor atualmente

Uma das palestras que acompanhamos hoje no XVIII Congresso Internacional do Trigo dava conta do comportamento do consumidor brasileiro em geral, enfocando em um segundo momento o mercado de derivados de trigo, trazemos a síntese dos dados e discussões levantadas correlacionando com as negociações de farinhas de trigo.


O palestrante Mauro Ruggiero da empresa Nielsen do Brasil, levantou alguns aspectos macroeconômicos para contextualizar a situação econômica nacional, mostrando que o acesso ao crédito e a valorização acabaram por aumentar o endividamento da população, fazendo com que o crescimento econômico (atividade de consumidores) tivesse leve redução neste ano, (diminuição de crescimento e não queda de atividade).


Sobre o comportamento do consumidor, há neste momento um aumento da preocupação com a “saudabilidade” (aspecto nutricional) dos produtos; procura por sofisticação (paga-se mais por qualidade mesmo em classes menos abastadas da população) e busca por praticidade e conveniência.


O que isso diz respeito aos moinhos e indústrias de massas que nos assinam?


Em um primeiro momento o aspecto de “saudabilidade”, diz respeito a produtos integrais, mistura de grãos como centeio e linho, alguns produtos que grandes moinhos produzem ou já sinalizam interesse em produzir como farinhas integrais, negociação de farelo para uso humano etc, e que tem aumentado sua aceitação no mercado.


A preocupação com a sofisticação foi exemplificada pelo palestrante por meio do aumento de consumo de massas refrigeradas e melhor qualidade de bolachas, em detrimento das tradicionais “água e sal” e cream-cracker, isto interfere diretamente na qualidade da farinha de biscoito produzida e não só a “bica corrida” que muitos agentes de mercado relacionam com a farinha comum. Isto já vem sendo comentado nesta sessão de AF News, com moinhos nos relatando preços especiais em negociações de farinhas comuns com porcentagens de cinzas e colorações diferenciadas para alguns clientes.


E finalmente o aspecto de praticidade e comodidade, que praticamente remete a farinha doméstica ao esquecimento no médio e longo prazo, aliás, o exemplo utilizado pelo palestrante foi mesmo da expansão de consumo do bolo pronto, algo que assinantes nossos já haviam comentado há algum tempo.


O movimento de comportamento de clientes e de mudança de padrão de renda dos consumidores nos permite verificar o planejamento do mix de produção e as negociações de farinhas de trigo industriais no curto e médio prazo.



Comentários e palestras acerca do trigo nacional e do MERCOSUL no XVIII Congresso Internacional do Trigo


Como dissemos na sexta-feira estamos cobrindo hoje e amanhã a convite da ABITRIGO, o XVIII Congresso Internacional do Trigo, trazemos hoje uma síntese das conversas que tivemos com os agentes de mercado e das palestras que observamos acerca do mercado nacional de trigo. O que mais se comenta junto a técnicos da ABITRIGO e junto aos agentes de mercado que conversamos, seria sobre a nova classificação do trigo, aptidão de exportação do trigo nacional, e a qualidade da safra atual.


Sobre o primeiro tema, embora ainda haja o risco de nova prorrogação como já vem ocorrendo nos últimos anos, da parte de moinhos, atualmente a previsão seria safra 2011/2012. Moinhos afirmam que isto melhoraria e muito a negociação do trigo nacional, pois com a obrigação de se produzir o trigo nacional com uma qualidade desejada pelo mercado moageiro, isso daria maior liquidez à negociação dos melhores lotes, de certa forma valorizando os lotes posteriores, e equipararia o preço do trigo nacional ao trigo importado.


Sobre a exportação o assunto é controverso, é levantado junto ao pessoal do ABITRIGO e agentes de mercado, a exportação do excedente de trigo brando, sobretudo do Rio Grande do Sul, e que se produza trigo naquele estado com este intuito, já que a demanda por farinha de biscoitos é de apenas 9% do total de farinhas produzidas no país. Isso também faria com que a oferta nacional fosse mais escassa e teria (em tese) maior valorização do trigo nacional. Ótimo, isso é algo realmente valido, porém para quem vender este produto?O governo terá sempre de pagar a conta do escoamento (via PEP)?Em palestra sobre políticas agrícolas no final da tarde, defende-se que haja diferenciação de prêmios e preços mínimos para cada região. Um dos consultores da ABITRIGO consultados levanta a tese de que o papel do governo poderia ser somente achar mercados para o trigo produzido no Brasil, uma vez que com o excedente de trigo no mundo seria difícil achar mercados, um dos palestrantes do evento realizou uma conta, mostrando que atualmente para chegar ao Norte da África com o mesmo preço do trigo russo, pagando o preço mínimo ao produtor de trigo brasileiro, o governo necessitaria arcar com um premio de R$ 164/ton, ou seja, inviável.


Sobre a qualidade da safra atual, as conversas são de que até 1 milhão de toneladas estariam inaptas à moagem no Paraná, conversa repercutida por mais de um agente de mercado, porém sem qualquer respaldo oficial. A idéia de que o trigo paraguaio não estaria com a mesma condição de qualidade do ano passado, mesmo que ainda com preços competitivos, mostra que será um ano difícil aos moinhos paranaenses. Sobre a safra gaúcha, as conversas com traders presentes no evento mostram ceticismo quanto aos lotes que ainda restam por colher, diferente daquilo que pensa os agentes de mercado consultados no balanço semanal da última semana. Ainda sem definição de qualidade, o trigo uruguaio é aguardado com esperança, o mesmo ocorrendo com o trigo argentino Amanhã, como hoje, traremos aos nossos assinantes mais uma síntese das conversas realizadas no evento da ABITRIGO.


Síntese das conversas e palestras acerca do mercado de trigo internacional



Em uma das palestras de hoje do XVIII Congresso Internacional do Trigo, comentou-se acerca do mercado mundial de trigo, trazemos hoje uma síntese do que foi comentado e algo que conversamos com agentes de mercado neste evento.


Uma das conversas levantadas sobre o mercado de trigo mundial seria de que o uso de trigo para etanol e para alimentação animal vem em crescimento nos últimos 3 anos, enquanto a utilização de trigo para alimentação humana teria uma demanda de certa forma estável. Isto se deve em partes ao comportamento de escassez e de preços altos do milho.


Aliás, diante do último levantamento do USDA com situação de estoques mundiais de trigo dentro de um excedente, imagina-se que o milho e a soja em alta nas cotações, sejam as únicas forças altistas do mercado de trigo.


Foram levantadas também a agressividade da oferta do leste europeu, com a presença de excedentes não só na Rússia como na Ucrânia e no Cazaquistão. Aliás, houve o questionamento se com os preços praticados atualmente não seria possível a importação de trigo russo para o nosso país, sendo rechaçada a idéia pelo palestrante diante de experiências anteriores com diferente característica de trigo e de moagem em relação ao maquinário de moinhos nacionais, esse efeito, porém, do trigo russo é sentido no mercado brasileiro pela queda dos preços americanos e conseqüentemente influencia o acompanhamento das cotações do trigo argentino que por sua vez afeta as pedidas do trigo no restante do MERCOSUL.


Outro assunto que costumamos comentar nesta seção e que foi comentado no evento foi à qualidade e quantidade esperada do trigo australiano, que promete aumentar a disputa com o trigo americano no mercado asiático, outra força negativa esperada com relação ao trigo americano e a reação em cadeia acima citada.


O comportamento de espera de normalização de oferta tem afetado as negociações das traders no mercado brasileiro e levantado a preocupação de traders uruguaias, que em conversas conosco hoje não compreendem a falta de procura de trigo por parte dos moinhos brasileiros.


Amanhã traremos a síntese do segundo dia de evento, com as projeções de ajustamento da indústria e da produção de trigo, aguarde!!!


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