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Última atualização: 10/9/2018 - Atualizado em 02/10/2013h46

Federação camponesa guineense pede prudência na colaboração com China no arroz

Em entrevista à agência Lusa, Sambu Seck comentou a abertura, anunciada pelo Presidente guineense, José Mário Vaz, de a China cooperar com o....

De AF News Análises

Em entrevista à agência Lusa, Sambu Seck comentou a abertura, anunciada pelo Presidente guineense, José Mário Vaz, de a China cooperar com o país no domínio da Agricultura, nomeadamente na produção do arroz.

Seck, cuja federação enquadra camponeses das regiões de Oio, Bafatá e Cacheu, sobretudo mulheres, não desdenha a cooperação chinesa, mas pediu prudência das autoridades, salientando o facto de o país "ter ótimas condições e um grande saber" na produção daquele cereal.

O secretário-geral da Kafo receia a possibilidade de a China trazer para Guiné-Bissau o "chamado arroz hibrido" que, disse, ajuda a aumentar a produção, mas, também poderá acarretar "muitas consequências" para um país que tem mais de 100 variedades do arroz.


"Aceitar a introdução de variedade híbrida, isso poderá trazer consequências graves no nosso património genético", observou Sambu Seck, que destaca ainda o facto de aquele arroz necessitar de "muito adubo e fertilizante".

O líder da Kafo assinalou que a experiencia da presença da China na produção do arroz no passado recente na Guiné-Bissau "não deixou boas lembranças", referindo-se às bolanhas (arrozais) no leste e norte do país, onde, disse, após a saída de técnicos chineses, voltaram a baixar do rendimento, depois de "bons anos de colheitas".

"Aquelas 'bolanhas' baixaram de rendimento por uso excessivo de fertilizantes pelos chineses", observou Sambu Seck.

O responsável defende que a cooperação com a China no domínio da Agricultura devia antes ser orientada para formação de quadros, transferência de tecnologia e o apoio à produção, mas respeitando os "conhecimentos milenares" dos produtores do arroz guineenses.

Sambu Seck é de opinião que as autoridades de Bissau deviam solicitar à China a formação de novos engenheiros agrónomos guineenses, já que o grosso da geração daquela classe está na pré-reforma.

O mesmo pedido seria também feito à Portugal, disse.

"Portugal pode ajudar a Guiné-Bissau na formação de agrónomos, como já fez no passado", notou Seck, citando os nomes de Carlos Schwartz (Pepito), Tumane Mané e o fundador da nacionalidade guineense, Amílcar Cabral, todos formados pelo ISA (instituto Superior da Agronomia), frisou.


Fonte: Diário de Notícias.
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